RMC enfrenta o analfabetismo
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terça-feira, 22 de abril de 2008
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Os índices de analfabetismo no Paraná caem ano a ano, mas ainda são preocupantes. Segundo Wagner Roberto do Amaral, coordenador do programa Paraná Alfabetizado, da Secretaria de Estado da Educação (Seed), no Censo de 2000 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que 9,5% da população paranaense com 15 anos ou mais não sabia ler e escrever.
Ainda de acordo com o coordenador, em 2006 o IBGE, através da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD), levantamento com metodologia diferente da utilizada no Censo, registrou que 6,5% dos habitantes do Paraná na faixa etária mencionada eram analfabetos.
Sabe-se que na Região Metropolitana de Curitiba há municípios com marcas piores do que o índice estadual, embora não haja dados mais atualizados. ''Junto com o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), devemos divulgar no próximo mês estimativas por município. Entretanto, os dados mais abrangentes continuam sendo os números do Censo de 2000'', afirma Wagner do Amaral.
O Censo apontou que vários municípios da RMC, principalmente na região do Vale do Ribeira (uma das mais pobres do Paraná), tinham mais de 10% da população de 15 anos ou mais analfabeta (veja gráfico).
Amaral relata que o programa Paraná Alfabetizado, que visa ensinar as pessoas na faixa etária mencionada a ler e escrever, alfabetizou 36,3 mil pessoas em todo o Estado de agosto de 2004 (quando o programa começou) até o final de 2006. Destas, de acordo com o coordenador, 995 foram alfabetizadas na chamada Área Metropolitana Norte, 383 na Área Metropolitana Sul e 96 em Curitiba (a divisão é feita de acordo com a abrangência dos núcleos regionais de educação).
Os números de 2007 não foram fechados ainda, mas, segundo Amaral, 3.309 pessoas se inscreveram no programa na Área Metropolitana Norte, 2.635 na Sul e 2.883 em Curitiba. ''O boom do Paraná Alfabetizado foi a partir de 2007, pois houve uma reorganização do programa'', diz o coordenador.
Amaral explica que, caso sejam alfabetizados 50% dos inscritos no programa em 2007 e se for cumprida 50% da meta de 2008 (a projeção considera a possibilidade de casos de evasão e permanência no curso), cinco municípios da região serão considerados livres de analfabetismo ao final deste ano: Quatro Barras, Fazenda Rio Grande, Contenda, Balsa Nova e Piên.
Dificuldades
O Paraná Alfabetizado trabalha com o índice da Unesco, de 3% ou menos da população com 15 anos ou mais, para atribuir o título de município livre do analfabetismo.
''No ano passado, Curitiba recebeu esse título (dado pelo Ministério da Educação), devido aos 3,38% verificados no Censo de 2000. Só que o MEC considera livre de analfabetismo quem consegue 4% ou menos. E precisamos lembrar que, embora Curitiba tenha um índice pequeno, essa porcentagem significa 40 mil analfabetos, uma grande população'', afirma Amaral.
O coordenador explica que justamente Curitiba e o Vale do Ribeira representam os maiores desafios do programa na RMC. ''O Vale do Ribeira é uma das regiões do Paraná que mais concentram analfabetos. Isso ocorre por duas razões principais: a ausência da oferta de escolarização nas décadas anteriores e as dificuldades de acesso à região. O asfalto só chegou lá agora'', diz Amaral, em referência às rodovias de acesso ao Vale do Ribeira que foram pavimentadas recentemente.
Em Curitiba, os educadores do Paraná Alfabetizado têm dificuldades em certas regiões periféricas. ''Há comunidades em que não é fácil desenvolver um trabalho noturno, pois, em razão da violência, há um clima de insegurança. Nem sempre há, na comunidade, quem se disponha a ser alfabetizador'', explica o coordenador.


