O batismo com óleo é um ritual que une passado e presente no Aeroclube de Londrina. Realizado desde o começo da escola de aviação até os dias atuais, a exemplo de outros aeroclubes do País, o ato celebra o primeiro vôo solo de um piloto. ‘‘É quando o instrutor já te acha com competência e segurança suficientes para voar sozinho. Quando você retorna desse vôo, recebe um banho de óleo. Até uma certa época, usava-se o próprio óleo esgotado do avião’’, explica Marco Túlio Tomasetti, 52 anos, atual administrador do aeroclube e integrante desde 1980.
  Reza a lenda que essa espécie de ‘‘trote’’ provém de um incidente ocorrido com Santos Dumont. O motor de um avião teria estourado e encharcado o pai da aviação com óleo. Segundo Túlio, até os anos 60 o ritual era ainda mais constrangedor em Londrina: lambuzado dos pés à cabeça, o aprendiz de piloto era levado em cima de um jipe até o Calçadão, onde era amarrado a um poste em frente ao bar que era reduto dos jovens baladeiros da época.
  Além de histórias, o aeroclube coleciona algumas relíquias da aviação em Londrina. Em seus galpões, pode-se encontrar um avião CAP-4, fabricado em 1945, forrado com tela de algodão e sem qualquer dispositivo elétrico.
  Ao comparar as primeiras turmas do aeroclube com as atuais, Tomasetti diz que os alunos não procuram mais a escola em busca de aventura.‘‘O intuito foi ficando cada vez mais profissional. Formaram-se homens que voaram na guerra, pilotos de vôos internacionais’’.
  O presidente do aeroclube, Elvis Brantegani, 35, lamenta o fato de que muitas pessoas ainda confundam a entidade com um clube de playboys. ‘‘Trata-se de uma escola de aviação civil, com 64 anos de existência. Londrina teve seu crescimento pujante através de seu aeroclube’’. (V.N.)

mockup