Roupas extravagantes, bocas enormes, narizes vermelhos. Ciência da alegria e da ingenuidade


Mari retoca a maquilagem de Jai, cujo pai era amigo de Chic-Chic. O filho seguiu-lhe os passos. A família multiplica-se sob a singeleza de um único sobrenome


A lenta transformação. Despertam-se as trapalhadas do menino quando as cores do palhaço cobrem o rosto do homem


Lígia Queirolo: fabricação de bonecos em casa, que são vendidos para clientes de todo o Estado. Uma das diversas atividades dos Queirolo, adaptada aos novos tempos sem perder a essência da magia




A serragem de madeira amaciando o solo, as redes para aplacar as quedas do alto do trapézio; os animais amestrados, as mágicas, os palhaços, os risos e os aplausos vindos da distinta platéia espalhada nas cadeiras e arquibancadas. E a lona, sempre a lona, abraçando e cobrindo a grande família; dando forma arredondada e esgueirando-se para o alto, acompanhando o mastro.
O circo transformou-se em transcendência para os Queirolo. Amor feito tatuagem na alma. O sobrenome deixou de ser mera identificação para virar espécie de destino, de coisa antecipada. Basta ser Queirolo para carregar o fascínio das purpurinas circenses.
Em Curitiba a família de Lafayette - ou o palhaço Chic-Chic que encantou gerações, até falecer ano passado - dá continuidade à paixão. Desde os filhos mais velhos, que se apresentavam em programas ao vivo, quando a televisão engatinhava no Paraná, à geração mais nova dos netos que ensaiam o futuro, todos têm um pé na arte. .
A estes Queirolos juntam-se outros, aqueles vindos pelas malhas do acaso. Tem o palhaço Gafanhoto, de 71 anos; os anões Douglas e Márcia; o comedor de fogo, Roberto, de 25 anos, que entrou no grupo como engraxate, aos sete. Estão todos no Estação Plaza Show, apresentando-se em mini-espetáculos nas tardes domingueiras. Duração de 40 minutos, com cartazes renovados. Estarão lá nos próximos seis meses.
E assim a família vai crescendo, contando e recontando histórias de um tempo de serragens, comboios e vida cigana. Uma herança que só gente de circo, como eles, consegue ter.

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