Para gerenciar os riscos de um negócio deve-se, primeiro, identificar quais são eles. Parece uma atividade simples, mas que muitas empresas ainda entregam nas mãos da sorte. O gerenciamento de riscos tem como objetivo principal proteger os ativos da empresa e o patrimônio dos acionistas, minimizando os riscos operacionais que envolvem o negócio. Por isso, deve ser constante em empresas de todos os portes.
O diretor de projetos da Litz Estratégia, Mário Nei Paccagnan, ressalta que o risco empresarial total deriva dos ambientes interno e externo. Em um momento como o atual, por exemplo, a crise macroeconômica enfrentada pelo País precisa fazer parte desse gerenciamento.
"Estamos vivendo momento de muita cautela por causa da crise, o ambiente está se tornando muito severo, isso gera uma série de ansiedades internas na empresa. Uma acentuação na inflação ou aumento na taxa de juros é um risco que pode desgastar meu negócio", ressalta.
Monitorar a movimentação dos ambientes deve ser uma atividade permanente, afirma Paccagnan. Gerenciar os riscos pressupõe mapeamento dos mesmos a partir de uma análise da cadeia do negócio em que a empresa está inserida.
"Na gestão de risco de uma construtora, por exemplo, devo pensar desde a aquisição de insumo, processo de venda, risco físico, civil, criminal", explica. Ele observa, ainda, que não existem apenas riscos negativos, eles também podem ser encarados como desafios e transformarem-se em oportunidades. E exemplifica: "Estou prestes a decidir se lanço ou não um empreendimento. Vejo a economia em desaceleração, o recuo na oferta de crédito, a queda na renda... Isso vai me apontar para dois caminhos, ou desisto ou faço uma análise interna e crio uma oportunidade para transformar meu negócio", orienta.
O diretor executivo da Caput Consultoria, Wellington Moreira, destaca que riscos são inerentes a qualquer negócio, fazem parte da atividade empreendedora. No entanto, em alguns setores ele é maior. "É diferente o risco de uma indústria e de um escritório de advocacia, por exemplo, que tem risco maior que de uma papelaria", compara.

IMPLANTAÇÃO
Segundo Moreira, em países em que o conceito de gerenciamento de riscos está mais desenvolvido é comum que ele fique a cargo de um departamento ou unidade específica dentro da empresa. No entanto, não se trata de uma obrigatoriedade.
"Quando a gente fala de uma empresa no dia a dia basta olhar o seguinte: onde está o processo? Se está ligado a operação, então quem cuida é o gestor operacional; está ligado a pessoas, então é a área de recursos humanos ou segurança do trabalho. Se a gente está falando de riscos de um projeto, quem cuida é o gestor daquele projeto", detalha.
Ele aconselha a contratação de uma consultoria especialmente quando a empresa pretende se aventurar em áreas até então desconhecidas, em que os funcionários não dominem todas as variáveis.
Paccagnan afirma que o primeiro passo para implementação do gerenciamento é entender a estrutura do negócio. Para isso, ele sugere a ideia de cadeia de valor, do que a empresa pretende entregar para o mercado. A partir daí é feito o mapeamento dos riscos, a quantificação e priorização e planos para responder a eles ou minimizá-los.

Imagem ilustrativa da imagem Riscos calculados evitam surpresas e fortalecem projetos
| Foto: Gustavo Carneiro
Para Mário Nei Paccagnan, os riscos podem ser encarados como desafios e transformarem-se em oportunidades
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