RISCO SOCIAL
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de maio de 2001
Marcos Zanatta 
O planejamento urbano de Maringá reprimiu a construção de imóveis de baixo padrão, o que era fácil de comprovar até há poucos anos, inclusive nos bairros mais distantes. A cidade, que sempre se orgulhou de não ter favelas, começa a experimentar a proliferação de barracos na periferia. Os bolsões de miséria, concentrados nas cidades mais próximas, principalmente Sarandi e Paiçandu, começam a encontrar espaço na Cidade Canção.
O que atraiu as famílias sem condições de construir um imóvel dentro dos padrões exigidos pela lei de zoneamento foi a liberação de alguns loteamentos sem infra-estrutura. Não vamos mais permitir loteamentos deste tipo, avisa o prefeito José Cláudio Pereira Neto.
O professor Luiz de Carvalho, do Departamento de Engenharia da UEM, ex-coordenador de Planejamento da prefeitura e especialista em análise regional, lembra que por volta de 1968 o município passou a exigir infra-estrutura completa para liberar novos loteamentos. A medida forçou um crescimento acima da média em Sarandi, explica.
As loteadoras que tinham em Maringá um mercado promissor, conquistado com a fama de cidade planejada, passaram a abrir bairros em cidades vizinhas. Há cerca de sete anos, a prefeitura deu uma trégua liberando novos loteamentos com apenas a infra-estrutura básica como água e energia. O crescimento desordenado voltou a acontecer colocando em risco a sequência do planejamento. A Companhia Melhoramentos fez um projeto que precisa ser seguido, defende Carvalho.
As famílias de baixa renda, expulsas pelo planejamento da cidade, ocuparam a periferia. Hoje alguns bairros, reconhece o prefeito, são extremamente problemáticos. O pessoal se instala com o mínimo necessário e espera pela prefeitura para melhorar as condições de vida.
Não existem dados atualizados sobre a miséria da cidade. Um estudo realizado há cerca de cinco anos pelo movimento Repensando Maringá mostrou que a cidade tinha 11 mil famílias em risco social. A família do ambulante José Carlos Ramos se enquadra nas estatísticas do movimento. Desempregado, com mulher e dois filhos, ele mora em um barraco no Parque Tarumã. O fiscal vem toda semana mandar a gente construir uma casa, mas não tem como, defende-se.
Ramos diz que pagava aluguel na Vila Emília, comprou o terreno e não tem condições nem de comprar material para construir. O pior é que tudo é longe daqui, reclama a mulher dele, Rosimeire Alves. O bairro não tem escola, creche, posto de saúde e nem igreja.


