Risco é consequência de atraso no planejamento
No Ahú, em Curitiba, é a imprudência de motoristas que acaba ocasionando acidentes, segundo quem reside no local. Morador do bairro há 40 anos, Paulo George Pan, falta atenção daqueles que cruzam a linha férrea. ''É mais descuido do próprio motorista. Se a pessoa prestar atenção não tem porque acontecer'', justifica.
O acidente mais lembrado pelos moradores do bairro ocorreu há cerca de dois anos e fez uma vítima inocente. Um carro cruzou a linha férrea e foi lançado pelo trem em cima de um pedestre, que não resistiu aos ferimentos. ''Alguns trens buzinam até além da conta. O cara vê que o trem está vindo e continua insistindo em passar. Alguns moradores reclamam do barulho dos trens, mas eles têm que apitar'', defende Hélcio Soares, morador do bairro há um ano e oito meses.
Já para a chefe do departamento de transportes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Gilza Fernandes Blasi, mais do que a imprudência de motoristas e pedestres, a demora do poder público em retirar as passagens de nível dos bairros populosos é o principal problema. ''Tudo é decorrência de ter um ramal ferroviário onde não deveria estar há mais de 20 anos. Não se admite mais esse tipo de transtorno nos dias de hoje com o tráfego de veículos sendo interrompido por comboios longos. Isso poderia ser normal há 30 ou 40 anos quando essa malha foi implantada. A cidade montou em cima da ferrovia mas não há justificativa em manter isso. Os acidentes vão continuar acontecendo'', alerta a professora.
Segundo Gilza Blasi, embora os moradores tenham se acostumado com os trens, a convivência com as linhas férreas em perímetro urbano não pode ser encarada como decorrência natural do crescimento da cidade. ''Há tantas dificuldades na vida desse pessoal que o trem é o menor dos problemas para eles. Mas normal não é. O que há é o atraso no planejamento dos transportes'', justifica. ''O estado, nas instâncias municipal, estadual e federal, tem governantes que priorizam obras baratas e de retorno político imediato. E a população vai se adequando às dificuldades.''
O atraso a que ela se refere é o do desvio da malha ferroviária para fora do perímetro urbano previsto no projeto do Contorno Ferroviário, elaborado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), e que deve ser executado em parceria com o Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit). De acordo com a assessoria de imprensa do Ippuc, a implantação do contorno, que passará pelas regiões do Passaúna (entre Curitiba e Campo Largo) e do Rio Verde (em Campo Largo), aguarda a liberação do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para o início da obras. Até o fechamento desta edição, a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos não informou quando o parecer ambiental do IAP deve ser concluído. (D.R.)
LOCAIS DE RISCO
Passagens de nível (PNs oficiais) com mais registros de acidentes
TRECHO CURITIBA - RIO BRANCO
Município de Curitiba:
Augusto Stresser
Jaime Balão
6 PNs da Anita Garibaldi
Município de Almirante Tamandaré:
Rodovia dos Minérios
TRECHO PIRAQUARA - IGUAÇU
Município de Curitiba:
Rotildo Polido (antiga Rua Iguaçu)
Amador Bueno
Sebastião Marcos Luiz
Rua dos Ferroviários
Município de Pinhais:
Av Camilo Delélis
Rua Uganda
Rod. João Leopoldo Jacomel (PN do Carrefour)
Município de Piraquara:
Av. Getúlio Vargas





