Rir é o melhor negócio
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de julho de 1997
Fabiano Camargo 
Kraw PenasRir faz bem e melhora a qualidade de vida, diz o consultor de lazer, recreação e qualidade de vida Guto Zaffalon, que ministra cursos onde ensina os benefícios do bom humor para adultos e criançasReunidas numa sala, o grupo de crianças se equipa com um arsenal de rolos de papel higiênico. Começa, então, uma batalha campal. Bolas de papel cruzam os ares, batem contra a parede e caem no chão formando um mar branco. Calma, não é preciso chamar a governanta e nem trata-se de um caso para chineladas na poupança. Estas cenas fazem parte do trabalho do professor de educação física, fisioterapeuta e animador Guto Zaffalon, 29 anos. Um profissional do riso, Zaffalon presta consultoria a empresas e realiza cursos onde ensina os benefícios do bom humor para crianças e adultos.
Usando técnicas que aprendeu em cursos de lazer e recreação realizados nos Estados Unidos e Inglaterra, Zaffalon ensina, basicamente, que sorrir pode ser ainda melhor do que parece. Combate o stress, relaxa os músculos, aumenta a ventilação pulmonar, diminui sintomas da nevralgia, reduz pressão sanguínea e batimentos cardíacos, secreta enzimas que protegem o estômago da úlcera, entre outros benefícios.
Ter senso de humor não significa contar piadas o tempo todo: é um jeito positivo de encarar os eventos do dia-a-dia. Isso aumenta a qualidade de vida, diz o professor, que este mês realizou uma colônia de férias no Shopping Champagnat onde misturava didática e exercícios que usam a criatividade e coordenação motora das crianças com boas doses de humor.
Trabalhar com o riso não é uma tarefa tão fácil como parece. Fazer rir é mais difícil do que causar o choro - neste último caso, basta contar uma história triste, diz Zaffalon. Para tirar risadas de outra pessoa, às vezes você precisa neutralizar toda a carga negativa que ela carrega depois de um dia difícil, por exemplo. É preciso faze-la relaxar. Na busca por este relaxamento, nos seus cursos e oficinas, Zaffalon usa muito a música e atividades físicas. Agitando as pessoas com o esforço corporal, faço com que elas se relaxem, soltem os músculos, e fiquem mais dispostas ao riso.
O humor tem muita importância no ambiente do trabalho, afirma Zaffalon. Nas palestras que costuma fazer para empresas, deixa isso bem claro. Sempre digo que se você consegue rir com o cliente, provavelmente fará negócios com ele. Alguns números coletados por pesquisadores norte-americanos reafirmar a valorização do bom humor. Um relatório feito com 100 executivos de ponta americanos mostrou que 84% deles acreditam que funcionários com bom senso de humor fazer um trabalho melhor do que aqueles com pouca ou nenhuma disposição para o riso.
Outro estudo, no mesmo país, que ouviu 700 diretores de executivos, revelou que 98% dos entrevistados preferem contratar pessoas com senso de humor. O humor aumenta a flexibilidade criativa e ajuda e desenvolver a capacidade de encontrar melhores e mais criativas soluções para os problemas, justifica o especialista. Ver o lado cômico das situações difíceis ajuda muito e cria uma motivação a mais, pois a pessoa fortalece seu espírito de luta e melhora o clima a sua volta. A motivação se prolifera: o bom humor é muito contagioso. Fazer rir também é uma ferramenta de comunicação muito eficaz, diz Zaffalon, sacando os dados de mais uma pesquisa. Empregados do Centro de Ciências de Saúde do Colorado, nos Estados Unidos, que assistiram filmes de treinamento e workshops com um toque de humor demonstraram 25% a menos de desânimo no trabalho e 60% a mais de satisfação com o emprego.
A força dos números e o prazer de rir, contudo, não devem ser encarados como uma motivação para que todo mundo saia imitando os trejeitos de um Didi Mocó ou Mr. Bean em tempo integral. Os engraçadinhos são os humoristas profissionais, porém podemos usar o que for interessante no dia-a-dia. Deve-se, portanto, evitar a obrigação de ser engraçado o tempo inteiro. Mesmo quem vive disso. O trabalho cômico exige o máximo de espontaneidade possível. O ator tem que estar relaxado para relaxar o público, diz a atriz Pitta Belli, diretora da Escola do Ator Cômico, de Curitiba.
O humorista Bussunda, do grupo Casseta & Planeta, é um dos profissionais do riso que reclama da cobrança que costuma recair sobre ele e outros colegas de ramo. Sempre encontramos algum mala que pára, olha para a tua cara e diz: ei, você não é o casseta da TV!? Conta uma piada, faz alguma coisa engraçada... É um saco!.É O MELHOR NEGÓCIO
Rir, traz comprovados e inúmeros benefícios para a saúde física, mental e até, quem diria, para a saúde econômica
Ter senso de
humor não significa
contar piadas o
tempo todo
Se você consegue
rir com o cliente
provavelmente fará
negócios com ele


