Rio Paraná está 4 metros abaixo do nível normal
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de setembro de 2001
Joel Guedes<br> de Umuarama<br> Especial para a Folha 
Além do aumento no número de incêndios registrados no Parque Nacional de Ilha Grande, ambientalistas da região agora têm outra preocupação: o nível do rio Paraná está quatro metros abaixo do seu nível normal. O Corpo de Bombeiros de Umuarama já está alertando pescadores e turistas sobre os cuidados que devem ser tomados, principalmente na travessia dos diversos canais, onde já é possível visualizar inúmeras bancas de areia.
Segundo o sargento Mauro Aparecido Soares, do Corpo de Bombeiros de Umuarama, em épocas de poucas chuvas na cabeceira do rio Paraná, nos Estados de Minas Gerais e São Paulo, é normal o rebaixamento no nível do rio. No entanto, esse ano a situação é mais crítica.
Além de tornar mais perigosa a navegação, principalmente à noite, o baixo nível do rio vem prejudicando centenas de famílias que sobrevivem exclusivamente da atividade pesqueira no ''Paranazão''. Em agosto, a colônia de pescadores profissionais de Guaíra atribuiu ao aumento da vazão nas comportas de Itaipu a culpa pelo rebaixamento acentuado do rio Paraná e do Lago de Itaipu onde, segundo os pescadores, estariam ocorrendo danos ambientais e mortandade de peixes.
O juiz federal Luiz Carlos Canalli, da Vara da Justiça Federal de Umuarama, determinou medida cautelar de produção antecipada de provas, que está sendo cumprida por uma equipe multidisciplinar constituída pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). A medida foi concedida no dia 24 de agosto e o prazo para conclusão da investigação era de cinco dias, prorrogado depois por mais 15 dias.
A medida, explica o juiz, visa apenas a coleta de provas. É esse trabalho de investigação do Ibama que vai determinar se o rebaixamento do rio, e consequente sumiço dos peixes, é provocado ou não por Itaipu. Se ficar comprovada a culpabilidade da multinacional, a colônia de pescadores de Guaíra terá em mãos forte instrumento para propor ação contra a hidrelétrica.


