Revolucionários da esperança
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de dezembro de 2000
Emerson Dias De Foz do Iguaçu 
O Oeste do Paraná é decisivo no surgimento da maior e mais conhecida marcha revolucionária da história brasileira. Ocorre em abril de 1925, em Porto Mendes (região da atual cidade de Santa Helena, distante 113 quilômetros ao norte de Foz do Iguaçu). Dois movimentos rebeldes um paulista e o outro gaúcho se encontram para formar a Coluna Prestes, contingente que chegaria a reunir 3 mil homens.
Os grupos se organizam na década de 20, durante o chamado Tenentismo, época em que militares dissidentes cobram renovação na estrutura política do Brasil. Quando o presidente Arthur Bernardes é eleito, em 1922, a não-aceitação do seu governo faz eclodir duas marchas distintas: a Coluna Paulista, liderada pelo general Izidoro Dias Lopes, e a Divisão Rio Grande, comandada pelo jovem capitão Luis Carlos Prestes.
O encontro de ambos origina a Coluna Prestes, que percorreria 25 mil quilômetros pelo interior do País. O objetivo da marcha é conscientizar os homens do campo sobre as imoralidades políticas que acontecem nas cidades, enquanto acumula os fatos da realidade sofrida dos colonos, para mostrar aos governantes a verdadeira face cabocla do Brasil.
Durante a passagem do grupo, o Oeste paranaense é marcado por combates. Um deles acontece em Foz do Iguaçu, quando a Coluna é derrotada, ao enfrentar 10 mil soldados do Exército. Para fugir, Prestes chega a queimar uma ponte sobre o Rio São Francisco Falso, depois de cruzá-la, prejudicando o avanço do Exército federal.
Nesse local, próximo à Rodovia Coluna Prestes, entre Santa Helena e Diamante do Oeste, seria erguido na última década do século um monumento de 25 metros (simbolizando o percurso dos revolucionários), projetado por Oscar Niemeyer. O marco homenageia os homens sob o comando de Prestes, conhecido também como o Cavaleiro da Esperança. A longa marcha pelo País culmina no auto-exílio dos rebeldes na Bolívia, em 1927.


