Cidade de vanguarda em muitos setores, Londrina começa a despontar no campo da tecnologia voltada ao meio ambiente. Ideias locais ganham o mercado como alternativas ambientalmente viáveis. É uma espécie de revolução verde, calcada, principalmente, na sustentabilidade e preservação dos recursos naturais. Racionamento e reutilização dão o tom das pesquisas e investimentos genuinamente londrinenses que contribuem com o desenvolvimento do País.
O uso inteligente da água a fim de se evitar o desperdício não é ideia nova, mas transformá-la em realidade, algo paupável e concreto, sim. O reuso de águas cinzas - resíduos provenientes do uso do chuveiro e lavatórios - para fins não potáveis é um exemplo de como isso é possível. Em Londrina, a empresa Ecoracional já disponibiliza essa técnica a grandes empreendimentos.
Segundo o engenheiro Ricardo Teruo Gharib, diretor da empresa que desenvolveu a tecnologia, a iniciativa de instalação de soluções para economia de água demonstra a evolução da consciência ecológica dos empreendimentos locais. ''Algumas cidades já estabeleceram normas e leis que tornam obrigatória a utilização de fontes alternativas de abastecimento. Por isso, o tratamento de águas cinzas é uma possibilidade totalmente viável, bem como a captação da água de chuva, que já está incorporada às novas edificações'', comenta. A junção das duas técnicas é capaz de gerar até 80% de economia na utilização de água.
No reuso de águas cinzas, o engenheiro explica que, em vez da água usada na lavagem as mãos e roupas e no banho ir direto para o esgoto, ela é encaminhada a uma estação compacta de tratamento. ''Nesta estação são retiradas impurezas e feita a higienização com aplicação de produtos químicos e filtragem. A água resultante pode ser perfeitamente utilizada para atividades que não requerem potabilidade, como irrigação de jardins, lavagem de pisos, resfriamentos de máquinas e descarga de vasos sanitários.''
Mas alguns podem pensar que a aplicação de produtos químicos com o argumento de evitar o desperdício iria contra a ideia de sustentabilidade. Quanto à isso, Gharib é taxativo ao dizer que o impacto é infinitamente menor que o sistema tradicional. ''Gastamos água potável, tratada, com aplicação de flúor para lavar carro. Isso não é necessário. Para se ter uma ideia, da captação de mil litros de água no manancial, apenas metade vai alcançar o consumidor final, devido ao tratamento e distribuição. Então, para cada um litro de água potável economizada, dois litros de água são mantidos no manancial'', calcula.

Imagem ilustrativa da imagem Revolução verde com toque pé-vermelho
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