Revolução sexual é processo constante
Não é à toa que a mulherada tem colocado a boca no trombone. No filme ''Mulheres, Sexo, Verdades e Mentiras'', exibido em janeiro nos cinemas e que será lançado em DVD no segundo semestre -, o autor e diretor Euclydes Marinho especula sobre a sexualidade feminina, unindo uma história fictícia a depoimentos reais de mulheres.
A atriz Júlia Lemmertz assume o papel da divorciada que descobre o prazer sexual. A partir desse mote, a própria personagem faz um documentário, no qual insere as declarações reveladoras e sem pudores das entrevistadas. ''Não esperava que as mulheres falassem com tanta franqueza'', confessa Marinho. ''Esta inquietude revela como elas estão insatisfeitas com seus parceiros. Pensei em fazer também um filme sobre a sexualidade masculina, mas desisti porque os homens não falam sobre suas dúvidas e frustrações. Quando se reúnem, o máximo que conseguem é contar quem comeram e quem não comeram.''
Essa dificuldade de diálogo entre homens e mulheres, além das queixas femininas, inspiraram o ator e diretor Darson Ribeiro a escrever sua primeira peça, a divertida ''Herótica (com ''h'' mesmo) - Cartilha Feminina para Homens Machos''.
Darson e as atrizes Karina Barum, Márcia Manfredini e Iná de Carvalho ensinam o bê-á-bá sexual para os corajosos que encaram as alfinetadas femininas, sempre com muito humor.
''Saí em defesa das mulheres'', afirma Ribeiro. ''Quando dirigi a peça 'Oito Mulheres', no Rio de Janeiro, convivi intensamente com as atrizes. Compartilhei suas intimidades, com conversas que iam da meia furada, menstruação a relacionamento. Além delas, minhas principais amigas, que não são atrizes - uma de 41 e outra de 52 anos - estão solteiras e reclamam muito dos homens na cama. Percebi como a conduta masculina difere das expectativas femininas, que querem mais erotismo do que sexo básico.''
Além de reivindicarem mais prazer e mais qualidade, as mulheres vêm derrubando tabus. Um deles refere-se à masturbação. Se antes a busca pelo prazer solitário era motivo de culpa - ou algo escondido por muitas -, hoje isso mudou. Não é raro surgir, nos papos entre amigas, indicação de acessórios, como tipos de vibradores, e de outras técnicas de excitação.
''Elas aceitam mais a prática, porque sabem que têm direito a todas as formas de prazer sexual'', ressalta a sexóloga Regina Navarro Lins, psicanalista e autora de diversos livros, entre os quais, ''A Cama na Varanda - Arejando Nossas Idéias a Respeito de Amor e Sexo'' (Editora Best Seller) e ''O Livro de Ouro do Sexo'' (Ediouro).
''As mudanças profundas são lentas e graduais, e só são percebidas quando implantadas'', lembra Regina. ''Por isso que ainda nos deparamos com pessoas que desaprovam e não vivenciam os avanços.'' A médica Albertina Takiuti confirma a nova forma de encarar a masturbação: ''Agora elas sabem que a prática é muito importante para o autoconhecimento.''
A menopausa, que era sinônimo de velhice e estigmatizava a mulher por não poder engravidar, é tratada hoje com naturalidade e sem sobressalto. Por trás da mudança, Carmita Abdo vê uma grande revolução sexual: ''No início do século 20, a expectativa de vida da brasileira era de 58 anos. Neste século, saltou para 78. Portanto, a queda brusca de hormônios, que antes surgia no fim da vida da mulher, agora incide no meio de sua vida.'' Junte-se a isso a controversa reposição hormonal e o afinco no cuidado à saúde, para acreditarem que sua sexualidade não acaba com a idade. (C.V./A.E.)





