Revitalização de praça divide população
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segunda-feira, 25 de junho de 2007
Marcos Martins<br> Equipe da Folha 
Na manhã ensolarada do sábado, a empresária Helena Cavalcanti olha desolada para as máquinas e operários que tomam conta da Praça Miguel Couto, a Pracinha do Batel, em Curitiba. ''É a maior aberração histórica que eu já vi'', lamenta.
A tristeza de quem mora há 30 anos na rua Carneiro Lobo mistura-se com preocupação. O medo é que a tranquilidade da via seja ''atropelada'' pelo tráfego intenso de carros que dentro de 10 dias começarão a passar pelo local. O projeto liga a Carneiro Lobo à rua Desembargador Costa Carvalho, formando um novo binário na região, junto com as ruas Euclides da Cunha, Jerônimo Durski e Gastão Câmara. Segundo a prefeitura, a mudança vai facilitar a circulação entre os bairros Água Verde e Bigorrilho.
O tema já se arrasta há dois meses, mas ainda faz mais barulho que as máquinas que operam no local. Assim como a praça, as opiniões também estão divididas. ''Se fosse resolver o problema do trânsito, tudo bem. Mas não vai, é apenas para tirar nossa tranquilidade'', critica Helena Cavalcanti. Já outro morador do bairro, Antônio Ricardo Machado, defende. ''É um projeto bom. Lógico que tem que manter a praça, mas temos que pensar no interesse coletivo, que será beneficiado com um melhor fluxo do trânsito na região'', analisa.
Andando pelo local, além de encontrar agentes da Diretran - que organizam o trânsito das ruas Gonçalves Dias e Bispo Dom José - e Guardas Municipais - responsáveis pela segurança da obra - a reportagem da Folha também achou quem estava de um lado da praça e agora foi para o outro. ''Quando ouvi sobre a divisão me posicionei contra, achei que iam destruir tudo. Mas depois conheci o projeto e acho que vai ficar bom'', explica o comerciante Osvaldo Teixeira.
Para a aposentada Maria José Weinhardt, o trânsito na região está bastante complicado e precisa mesmo de uma solução. ''Acho ótimo fazerem alguma coisa, há horários com muita fila'', avalia.
Já o também aposentado Rubens Rodrigues, que mora no prédio em frente à pracinha, conta que era indiferente, mas mudou de idéia quando seu apartamento passou a ter ''vista consolidada para o problema''. ''Vai ser muito carro passando aqui, né. Acabou o sossego'', reclama.
A comerciante Lilian Frote, responsável por uma loja de flores que fica na praça, está preocupada. O movimento, segundo ela, caiu 40% nas últimas semanas. ''O pessoal acha que está fechado e não vem'', conta. De acordo com Lilian, o futuro também está indefinido. ''Não sabemos onde irão ficar as vagas de estacionamento, se a barraca precisará ser de vidro, que prejudica a exposição dos produtos. Em 13 anos de trabalho aqui, nunca nos sentimos assim'', lamenta.


