Curitiba - A capital paranaense terá segundo turno entre os políticos Ratinho Junior (PSC) e Gustavo Fruet (PDT), que fizeram 34% e 27% dos votos válidos. O atual prefeito de Curitiba, Luciano Ducci (PSB), ficou em terceiro lugar, apenas 4.402 votos atrás de Fruet. Com o resultado negativo, ele buscou o isolamento e divulgou nota à imprensa comentando o episódio. ‘‘Lamento que os ataques contínuos às conquistas de Curitiba tenham afetado minha candidatura’’, reclamou.
  Quatro anos após uma eleição decidida rapidamente no primeiro turno, quando o atual governador Beto Richa (PSDB) obteve 77% das intenções de voto na sua reeleição à prefeitura da capital, o eleitorado de Curitiba promoveu uma das disputas mais aguerridas desde 1988, quando Jaime Lerner venceu as eleições. Beto, responsável pela articulação política que permitiu a Ducci ser candidato, comentou a apuração pela rede social Twitter. ‘‘A grande lição da democracia é respeitar o resultado das urnas’’, escreveu.
  A ausência de Ducci no segundo turno cria uma situação nova para a maioria dos curitibanos, que nos últimos 26 anos viram um mesmo grupo político dirigir a cidade. A partir de hoje, quem disputa a prefeitura são dois candidatos de oposição, ambos da base de apoio da presidente Dilma Rousseff (PT). Ratinho Júnior foi o primeiro a chegar na sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em Curitiba, onde foi festejado pela militância. O bom resultado elevou de um para seis os membros da legenda na Câmara Municipal.
  Ratinho agradeceu a votação e disse que usará o segundo turno para detalhar as suas propostas. ‘‘Agora nós teremos mais tempo na televisão. O primeiro turno foi muito físico, pois estávamos sempre na rua para manter a animação da campanha’’, disse. Ratinho repetiu a tese que Curitiba busca ‘‘mudança sem rancor’’ e que não recusará alianças, inclusive se vier de Beto Richa. ‘‘Apoio não se recusa’’, cravou.
  Fruet chegou no TRE sob os gritos de ‘‘Fora, Ibope’’, vindos da militância. Nenhuma pesquisa de intenção de voto, nem as de boca de urna, previram que ele fosse ao segundo turno. Embalado pela situação, ele disse que ‘‘a população deu uma lição de soberania’’ ao negar as predições dos institutos de pesquisa. Acompanhado pelo casal ministerial, Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo, do PT, disse que reconhece a dificuldade de ter Dilma fazendo campanha para ele ou Ratinho. ‘‘Gleisi levará o nosso pedido. Hoje eu também procurei a ex-ministra Marina Silva, para que ela retorne à cidade’’, confessou.
  Gleisi reforçou para a FOLHA que o PT fez ‘‘uma opção política em Curitiba, escolhendo aquele candidato que o partido julgou mais preparado para administrar a cidade’’. Paulo Bernardo disse que buscarão votos no eleitorado de Rafael Greca
(PMDB), que fez 10%, e nas pessoas que escolheram Ducci. ‘‘Não olhamos pelo retrovisor’’, declarou.

Curiosidades
  Na Região Metropolitana de Curitiba, o resultado das urnas trouxe dois casos curiosos. Em Pinhais, o prefeito Luisão do PT foi reeleito com 93% dos votos válidos. Já em Balsa Nova, Luiz Costa (PMDB) e Marcos Zanetti (PDT) fizeram exatamente 3.869 votos cada um, empatando. Pela regra em vigor, a vaga ficou com Luiz Costa, de 59 anos de idade, por ser mais velho. Zanetti tem apenas 41.

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