Atores caracterizados como peças de xadrez fazem parte do trabalho, que deve ser lançado em abril

Gênios super sérios, carrancudos e com ares impenetráveis. Esta é a imagem que até hoje acompanha os jogadores de xadrez, reproduzindo um estereótipo consagrado nos tempos da finada União Soviética, potência formada por repúblicas que continuam fornecendo os maiores cérebros dos tabuleiros. Mas jogar xadrez não exige como pré-requisito um comportamento gelado como a Sibéria e nem óculos fundo de garrafa. Com o objetivo de quebrar este preconceito e atrair as crianças para o aprendizado, o jogador, professor e árbitro da Confederação Brasileira de Xadrez Léo Pasqualine, 34 anos, está tirando do papel um sonho antigo, o vídeo ‘‘Uma Aventura no Reino do Xadrez’’.
Utilizando desenho animado, computação gráfica e 40 atores que dão vida a um roteiro marcado pela magia, o trabalho será oferecido a escolas públicas e particulares e às mais de 150 federações de xadrez que existem em todo o mundo - para este último caso, foi providenciada uma versão em inglês.
O trabalhou contou com apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, que viabilizou o patrocínio das empresas Siemens e Equitel. ‘‘A idéia é divulgar mais o xadrez e mostrar que o jogo não é difícil como muita gente ainda pensa’’, diz Pasqualine, que joga desde os sete anos.
Com 19 minutos de duração, o vídeo conta a história de um garoto de nove anos, vivido pelo ator Cauê Corona, que junto com seu pai (Roberto Burghel) descobre uma grande surpresa ao passear pela Biblioteca Pública. Um ‘‘homenzinho’’ os atrai até a sala de xadrez e os leva a pegar o livro ‘‘O Homem que Calculava’’, de Malba Tahan, que conta a lenda da invenção do jogo, que teria surgido na ãndia em 1.500. Pai e filho se transformam em desenhos animados e ‘‘entram’’ no livro, participando como personagens da história.
Depois da viagem, que traz informações sobre o potencial do jogo para desenvolver o raciocínio matemático, os dois mergulham em outra aventura. Vão parar num tabuleiro gigante de xadrez, formado por 32 atores que estão caracterizados como as peças e se movimentam seguindo as regras do jogo. Os personagens, jogando, acabam salvando o ‘‘homenzinho’’, na verdade um peão. Os cenários utilizados foram o Palácio Iguaçu, Memorial Árabe e Biblioteca Pública. Muitos ambientes criados em computação gráfica também entraram em cena. ‘‘Procuramos uma linguagem que fizesse as crianças se interessarem naturalmente, com muita fantasia e imaginação’’, conta a diretora do vídeo, Silvana Corona.






Com doses de humor e efeitos especiais, o vídeo ensina as regras básicas do xadrez. ‘‘Queremos mostrar que o jogo não é difícil como muita gente pensa’’, diz o idealizador do projeto, Léo Pasqualine








Como professor e árbitro de xadrez, Léo Pasqualine já viajou por todo o país e esteve em contato com muitos pequenos jogadores. Essas andanças, segundo ele, fizeram com que tivesse a certeza de que o potencial de desenvolvimento do jogo ainda está muito longe de ser atingido. ‘‘Sempre que existem estímulos, como a oferta de cursos e palestras, a procura é muito grande’’, resume.
A prática do jogo pode trazer muitos benefícios. ‘‘A capacidade de concentração, a memória e o raciocínio são muito trabalhados’’, diz Pasqualine. Esses fatores levaram o xadrez a um grande desenvolvimento didático em países como a Inglaterra, França e Alemanha, além da Rússia e outros países do leste europeu, onde é muito popular. Em Curitiba, uma lei de 1993 institui que o ensino da matéria fosse obrigatório na rede de escolas públicas. O projeto ainda dá seus primeiros passos, mas o meio enxadrístico espera muito deste tipo de iniciativa.

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