O advogado Henrique Brunini Sbardelini, 31 anos, deixou a casa dos pais para morar sozinho há seis anos. Mas nem de longe cogita passar uma semana sem visitar o antigo lar. ''No domingo é sagrado ir para a casa dos meus pais. Almoço lá e acabo ficando para o assistir os jogos do Palmeiras com a família'', conta ele, que tem mais dois irmãos, Guilherme, 33 anos, e Carlos, 29. Os pais, descendentes de italianos, perpetuam a tradição de encontros familiares com refeições apetitosas e fartas.
''Acaba que sempre levo uma marmita para casa. Meu pai e minha mãe cozinham bem, os dois se completam'', disse ele, contando que na casa do avô, em Vargem Grande do Sul, em São Paulo, a mesa para as refeições da família tem quase dez metros para comportar 40 pessoas.
''Não troco a comida caseira da minha mãe por nenhum restaurante. Tudo que ela faz é muito bom, tem aquele sentimento de alimentar os filhos. Ela prepara um vatapá e um ravioli maravilhoso, além de uma sobremesa fria que batizamos de geladão. A tigelada, como desde pequeno, receita que minha mãe aprendeu a fazer com minha avó'', lembra Henrique.
''A tigelada é uma receita da minha avó brasileira, como desde que me conheço por gente. É um prato consistente, único, leva ingredientes que agrada todo paladar. Não é um prato que se coma em restaurantes, só se faz em casa. Percebo que preservamos a identidade da nossa família através desses pratos, assim como o bolo de milho salgado que só nós fazemos. E todas as gerações vão aprendendo'', explica a acadêmica Elizabeth Brunini, 59 anos, que é pró-reitora de pós-graduação, pesquisa e extensão da Universidade Tuiuti do Paraná.
''A cozinha é um centro de referência, onde vai se trabalhando o relacionamento da família e nos aproxima bastante. Eu e meu marido sempre cozinhamos juntos, às vezes, faço o prato principal e ele o coadjuvante e vice-versa. Meus filhos também são bem italianos, demonstram interesse pela gastronomia, preparam pratos decorados e até planejam fazer curso de chef'', disse ela. (F.G.)

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