Curitiba, como todas as grandes cidades brasileiras, viveu nas últimas décadas um intenso processo de verticalização imobiliária. Embora a capital paranaense não possua nenhum prédio de dimensões semelhantes às dos principais arranha-céus das megalópoles mundiais, algumas edificações do município já ultrapassam os 100 metros de altura.
  O prédio do Centro Comercial Itália (Rua Marechal Deodoro), o Curitiba Trade Center (na Carlos de Carvalho) e o Evolution Towers (na Comendador Araújo), todos localizados na Área Central de Curitiba, já se tornaram referências na paisagem urbana.
  O Condomínio Edifício Centro Comercial Itália, inaugurado em 1981, tem 37 pavimentos (que abrigam um shopping center, escritórios empresariais e consulados) distribuídos em 112 metros de altura. O prédio foi construído numa época em que a metrópole iniciava um período de grande desenvolvimento econômico. ‘‘Foi um projeto bastante ousado. O prédio teve uma característica de superdimensionamento justamente porque se previu o grande crescimento populacional e econômico de Curitiba’’, explica Dante Luiz Manzochi, proprietário da empresa que administra o CCI.
  Ele relata que esse superdimensionamento se manifestou em vários aspectos: desde um grande sistema de armazenamento de água até o conjunto de 14 elevadores. E olhe que os empreendedores ainda tiveram que ‘‘segurar a mão’’. ‘‘A idéia era ter uns pavimentos a mais, mas havia restrições em relação à linha do Aeroporto Afonso Pena’’,
conta Manzochi.
  O Curitiba Trade Center e o Evolution Towers são mais recentes, produtos de uma época em que a capital paranaense já estava consolidada como um dos grandes centros econômicos do país. O Evolution é composto de três torres, que formam uma estrutura integrada com hotel, área residencial e espaço comercial. O ponto mais alto (sem contar o pára-raios)
da maior torre fica a
122 metros do chão.
  ‘‘Há uma tendência nacional e internacional de reunir diferentes atividades num mesmo local’’, aponta Roberto Ribeiro Pimenta, síndico do Evolution Towers. ‘‘Por exemplo, um cliente que está participando de um evento na parte comercial pode se hospedar no hotel, ou se for ficar mais tempo, pode alugar um loft na parte residencial’’, diz Pimenta. O síndico explica que a parte comercial tem foco corporativo, voltado para grandes empresas que precisam estabelecer grandes escritórios (no Evolution, segundo Pimenta, é possível colocar 180 pessoas trabalhando num mesmo andar).
  Pimenta explica que construir um prédio de mais de 100 metros foi uma necessidade em vista dos objetivos do empreendimento. ‘‘Em um terreno com essa localização, no Batel, e com essa área, o melhor aproveitamento seria esse (uma edificação com muitos pavimentos), até em decorrência do alto custo da área, para viabilizar o empreendimento’’, argumenta.
  Dante Manzochi afirma que a construção de prédios cada vez maiores é uma tendência nas metrópoles, mas salienta que esses projetos não dependem unicamente do empreendedor. ‘‘Tudo varia conforme o Plano Diretor, que em Curitiba tem umas coisas esquisitas. Por exemplo, você vê numa mesma região ruas com limite de oito pavimentos por prédio e do outro lado edifícios com 15, 20 pavimentos. É claro que interessa ao empreendedor construir prédios de muitos pavimentos. Mas na Região Central não vejo mais muitos terrenos que comportem um empreendimento de porte semelhante ao do CCI’’, explica
o administrador.

mockup