Gina de Azevedo Marques
Correspondente em Roma
Agência O Globo
Apesar de sua fisionomia nunca ter sido descrita literalmente nos Evangelhos, Jesus é o homem mais retratado da história da arte. Sua imagem muda de acordo com a interpretação de cada artista, época e estilo.
- O rosto de Cristo não é um rosto, mas a auto-representação do artista, que exprime o seu alter ego – afirma Cláudio Crecentini, consultor da Galeria Nacional de Arte Moderna e Contemporânea. Nenhum artista pintou ou esculpiu sua fisionomia enquanto ele viveu.
Na Idade Média, Jesus começou a ser retratado com uma imagem onipotente. Na maioria das vezes aparece com o livro sagrado na mão esquerda e com o sinal dos três dedos levantados na mão direita, simbolizando o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
- Entre as características desse período está o rosto triangular, com ênfase principalmente nos olhos e no nariz. Dados que representam a Trindade - diz Crecentini.
A imagem bizantina de Cristo durou até o século XIII e um dos artistas que inovaram esta tradição foi o italiano Giotto no início de 1300. No período gótico, nos séculos XIII e XIV, Jesus assumiu características nórdicas, com cabelos louros ou dourados e corpo longilíneo.
- A partir do século XV a figura de Cristo começa a ganhar luz e movimento, cada vez mais evidentes no Renascimento. Passa a ser retratada com diversas expressões. Além disso, a imagem muda de acordo com a região – explica Crecentini.
Com o início do barroco, em 1600, Jesus passou a ser retratado como alguém além do humano. A luz e os detalhes refletem uma figura toda celestial. A partir da segunda metade do século XVIII, a arte sacra recupera os temas clássicos greco-romanos. Já o século XX é marcado pela liberdade de escolha da corrente artística.
- Este século foi marcado pelo distanciamento do homem em relação à Igreja, que raramente patrocina os artistas. Sem contar a dessacralização da imagem de Jesus como arte provocatória – diz Crecentini.

mockup