Resultado em Curitiba é derrota para o PMDB
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domingo, 05 de outubro de 2008
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A vitória do tucano Beto Richa em Curitiba ratificou as pesquisas de intenção de voto e significa a derrota, principalmente, do PMDB do governador Roberto Requião. A opinião é do cientista político Ricardo Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Para ele, a segunda colocada nas urnas, Gleisi Hoffmann (PT), de certa forma fez o que era esperado. Quem não fez sua parte, segundo ele, foi o PMDB. Se ela foi ruim, o PMDB foi péssimo. Gleisi nunca teve cargo político em Curitiba, ainda está construindo o nome dela aqui. O PMDB era uma legenda que tinha que ocupar um espaço que não foi ocupado, afirmou ele.
Questionado sobre a atuação de Gleisi em comparação à eleição de 2006, quando a petista não conseguiu se eleger senadora, mas, em Curitiba, chegou a vencer o então candidato Alvaro Dias (PSDB), vitorioso nas urnas no Estado, Oliveira explica que a disputa com Beto era mais difícil. Alvaro é da velha geração, já no fim do seu ciclo. Ontem, ela enfrentou alguém da mesma geração, um nome em ascensão. É claro que ela tinha uma expectativa, mas a derrota maior é para o PMDB. A Gleisi já estava sem cargo e continua sem cargo.
O que contribuiu para a vitória do tucano no primeiro turno? A formação de uma grande frente de centro direita foi uma das responsáveis pela vitória. Beto agregou o PPS de Rubens Bueno e contou com o apoio de Osmar Dias (PDT) e do DEM. Além da grande frente, Beto conseguiu entrada em movimentos sindicais da cidade, até então ligados às legendas de esquerda. O Beto também contou com índices de aprovação da sua gestão considerados positivos.
Por outro lado, continua o cientista político, o governador Requião não conseguiu transferir votos, pois está numa má fase, em declínio de popularidade. O Beto também não teve oposição na Câmara de Curitiba. Os vereadores eleitos pelo PMDB em 2004 depois migraram para a base aliada do Beto. O PMDB está desmantelado, disse ele.
O número de votos obtidos ontem por Beto, na avaliação de Oliveira, certamente o coloca como um dos nomes para disputar o governo do Paraná em 2010. Haverá uma pressão do PSDB para que ele dispute. Ele só não sai para o governo do Estado se não quiser. O possível racha na grande frente, já que Osmar Dias também é um dos pré-candidatos ao Executivo estadual, deve ser o próximo desafio de Beto.


