Curitiba - A vitória do tucano Beto Richa em Curitiba ratificou as pesquisas de intenção de voto e significa a derrota, principalmente, do PMDB do governador Roberto Requião. A opinião é do cientista político Ricardo Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Para ele, a segunda colocada nas urnas, Gleisi Hoffmann (PT), ‘‘de certa forma fez o que era esperado’’. Quem não fez sua parte, segundo ele, foi o PMDB. ‘‘Se ela foi ruim, o PMDB foi péssimo. Gleisi nunca teve cargo político em Curitiba, ainda está construindo o nome dela aqui. O PMDB era uma legenda que tinha que ocupar um espaço que não foi ocupado’’, afirmou ele.
  Questionado sobre a atuação de Gleisi em comparação à eleição de 2006, quando a petista não conseguiu se eleger senadora, mas, em Curitiba, chegou a vencer o então candidato Alvaro Dias (PSDB), vitorioso nas urnas no Estado, Oliveira explica que a disputa com Beto era ‘‘mais difícil’’. ‘‘Alvaro é da velha geração, já no fim do seu ciclo. Ontem, ela enfrentou alguém da mesma geração, um nome em ascensão. É claro que ela tinha uma expectativa, mas a derrota maior é para o PMDB. A Gleisi já estava sem cargo e continua sem cargo.’’
  O que contribuiu para a vitória do tucano no primeiro turno? ‘‘A formação de uma grande frente de centro direita foi uma das responsáveis pela vitória. Beto agregou o PPS de Rubens Bueno e contou com o apoio de Osmar Dias (PDT) e do DEM. Além da grande frente, Beto conseguiu entrada em movimentos sindicais da cidade, até então ligados às legendas de esquerda. O Beto também contou com índices de aprovação da sua gestão considerados positivos.’’
  Por outro lado, continua o cientista político, ‘‘o governador Requião não conseguiu transferir votos, pois está numa má fase, em declínio de popularidade’’. ‘‘O Beto também não teve oposição na Câmara de Curitiba. Os vereadores eleitos pelo PMDB em 2004 depois migraram para a base aliada do Beto. O PMDB está desmantelado’’, disse ele.
  O número de votos obtidos ontem por Beto, na avaliação de Oliveira, certamente o coloca como um dos nomes para disputar o governo do Paraná em 2010. ‘‘Haverá uma pressão do PSDB para que ele dispute. Ele só não sai para o governo do Estado se não quiser.’’ O possível racha na ‘‘grande frente’’, já que Osmar Dias também é um dos pré-candidatos ao Executivo estadual, deve ser o próximo desafio de Beto.

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