Restrição às músicas e ao número alto de padrinhos
Padre Gilson Cezar de Camargo, integrante da Comissão da Animação Litúrgica da Arquidiocese de Curitiba, responsável pela definição das novas normas, faz questão de frisar que não se trata de implantar mudanças nas regras atuais. A intenção da igreja, segundo ele, é valorizar o rito do matrimônio, que vem perdendo espaço na celebração dos casamento.
''A própria CNBB está preocupada com uma série de acréscimos que foram introduzidos na cerimônia do matrimônio e que são estranhos ao rito. Esses acréscimos atrapalham a beleza própria do rito do matrimônio, que é um dos mais bonitos da igreja, e o que deveria ser secundário acaba sendo prioritário no sacramento do matrimônio'', diz.
De acordo com ele, o rito religioso exige no mínimo 30 minutos da celebração. O que vem acontecendo é que em função de atrasos da noiva, entradas demoradas com muitas pessoas e muitas músicas, esse cerimonial social, que deveria ser secundário, toma a maior parte da cerimônia e o rito em si tem que ser realizado às pressas.
Um desses ''acréscimos'' é a figura do padrinho. Ele explica que o sacramento não exige a presença de padrinhos e sim de duas testemunhas. O grande número de padrinhos, no entanto, faz com que a entrada na igreja torne-se muito demorada. Com a mudança, os padrinhos não poderão mais entrar na igreja com destaque, junto com os noivos. Só podem fazer parte da procissão de entrada para o casamento, além dos noivos, seus pais e dois pajens.
Outra restrição refere-se às músicas, que agora só poderão ser executadas em momentos específicos da celebração. ''A comunidade precisa ouvir as palavras dos noivos no consentimento, ouvir as palavras na entrega das alianças, o que não acontece com a música'', diz.
Há, ainda, orientações mais específicas para os profissionais que atuam com o casamento. Uma delas estebelece, por exemplo, que fotógrafos, filmadores e cerimoniais não deverão se movimentar durante a proclamação da Palavra e a Homília, em respeito à palavra de Deus, para não distriar os presentes. Outra prevê, ainda, que os arranjos de flores não atrapalhem a visão dos presentes.
Os padres e funcionários das igrejas também não escaparam às novas determinações. Os párocos recebem a recomendação para que valorizem o momento de entrevista dos noivos e, ainda, para que orientem os noivos para que façam a comunhão no momento do casamento, uma prática que na maioria dos casamentos não ocorre mais. Outra norma refere-se ao envolvimento de paróquias com os profissionais do casamento. A norma é que a paróquia não pode estar vinculada a nenhuma empresa prestadora de serviço, nem pode receber gratificação desses profissionais. (M.G.)





