Restos mortais de santo da Roma antiga estão em Tomazina
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segunda-feira, 29 de janeiro de 2007
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Além das belezas proporcionadas pela natureza, quem for a Tomazina pode curtir agradáveis momentos de contemplação das atrações religiosas da cidade. A paróquia Nossa Senhora da Conceição Aparecida, construída há mais de sete décadas, impressiona pela beleza das pinturas, feitas em 1952 pelo artista plástico curitibano Paulo Kohrl, que cobrem as paredes laterais e o teto.
Olhando para o alto é possível visualizar boa parte da história do cristianismo. Desde o anúncio do nascimento de Jesus Cristo, feito pelo anjo Gabriel a Virgem Maria, até a crucificação, tudo está ali. Um resumo dos evangelhos.
Porém, o maior motivo de atração de muita gente até a igreja é a presença das relíquias de Santo Inocêncio, um mártir da Igreja Católica, que viveu em Roma, no século 3 e foi assassinado por não renegar sua fé em Jesus Cristo.
Para quem estranha a presença de um romano em Tomazina, o pároco da Igreja de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Antônio Marcos Depizzoli, conta que a vinda do santo para o Norte Pioneiro do Paraná foi uma manobra dos freis capuchinhos, responsáveis pela paróquia de Tomazina entre 1920 e 1990.
Segundo o padre Depizzoli, o capuchinho Carlos Maria foi o grande entusiasta da idéia de trazer um mártir para Tomazina. Auxiliado pelo frei italiano Mário Massarente, que também trabalhava na cidade, ele entrou em contato com seus irmãos de ordem de Lendinara, distrito da italiana cidade de Veneza, para onde Santo Inocêncio foi levado depois de ser retirado das catacumbas de São Calixto, em Roma, por volta de 1800.
Os capuchinhos italianos realizaram o desejo de frei Carlos e permitiram a vinda de Santo Inocêncio ao Brasil. O frei foi buscar as relíquias pessoalmente. O mártir chegou a Tomazina, depois de vir da Europa de navio e fazer várias escalas em território brasileiro, a bordo de um helicóptero. Diz a história que mais de 20 mil pessoas aguardavam a chegada do santo no estádio da cidade, conta Depizzoli.
As relíquias de Santo Inocêncio estão guardadas em uma urna artística feita pela comunidade local. Os ossos e o crânio foram compostos em um corpo artificial, sendo o crânio revestido por uma máscara artística de cera. As sombrancelhas e os cabelos são naturais. Aberturas nas pernas e nos braços do corpo artificial expõem ossos do mártir.
O chefe do Departamento de Turismo e Meio Ambiente de Tomazina, Luiz Barros, diz que uma placa com as incrições Santo Inocêncio Mártir Tomazina - Brasil, nas catacumbas de São Calixto, em Roma, atestam a veracidade das relíquias que estão em Tomazina.


