Curitiba - As áreas preservadas de restinga - terreno salino e arenoso próximo ao mar coberto de vegetação característica - são quase inexistentes no Litoral do Paraná. Mas, nesta temporada, o ecossistema ignorado pela maioria dos veranistas ganhou atenção especial por parte de órgãos ambientais e entidades da sociedade civil organizada. O esforço conjunto pretende devolver às praias paranaenses o verde que ajuda conter o avanço do mar e evitar que eventuais ressacas causem prejuízos maiores ao continente.

A promessa do secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Rasca Rodrigues, é que, até o final deste mês, seja concluído o trabalho de regulamentação do uso e conservação dessas áreas, consideradas de preservação permanente. A secretaria, segundo ele, irá publicar uma resolução ou portaria, para definir onde e como se dará o isolamento das restingas. A intenção é evitar o acesso de carros na areia e a consequente depredação da vegetação. Para isso, será feito, inicialmente, um levantamento das praias onde as restingas ainda estão presentes e, inclusive, quantificar a extensão dessas áreas. O secretário estima que, em três anos, as áreas estejam recuperadas.

Em Guaratuba, duas áreas já contam com proteção: a praia de Caieiras e a Praia Brava (próximo ao Morro do Cristo). Foram colocados troncos de madeira, que servem de obstáculo à passagem de veículos, além de placas alertando se tratar de área de preservação permanente. Rasca assegurou que, no balneário de Pontal do Sul, em Pontal do Paraná, a prefeitura iniciará, de imediato, o isolamento das restingas. Planeja, também, fazer o plantio de espécies nativas, sob orientação técnica do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).

Outra providência, já iniciada, é a advertência aos motoristas que estacionam nas áreas de preservação permanente, com adesivos colados aos carros. Em caso de reincidência, os veranistas estarão sujeitos a multa de até R$ 1,5 mil. A advertência diz: ''Seu veículo está estacionado em área de restinga, portanto de preservação ambiental. Pedimos a gentileza que não mais estacione nesta área, evitando assim que você seja autuado por crime ambiental. Também temos que zelar pelo nosso litoral e você também faz parte deste processo, colabore para garantir a praia dos nossos filhos''.

O secretário de Meio Ambiente de Guaratuba, Ibson Campos, disse que os pontos de proibição para estacionamento de veículos estão sendo identificados e que, em princípio, o sistema de bloqueio será semelhante ao adotado em Caieiras e na Praia Brava. Neste último local, a iniciativa de isolar a área de restinga foi da Associação de Surf de Guaratuba. Ele afirmou que o trabalho de orientação aos veranistas, também, é importante, pois acredita que a população age sem ciência do mal que está causando ao meio ambiente.

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