Os municípios estão cadastrando os pescadores para saber quantos terão que ser retirados da praia. A atual sede do Corpo de Bombeiros de Matinhos também terá que ser retirada. Nem mesmo os restaurantes existentes poderão ficar no local. Até agora, cinco restaurantes foram fechados e retirados das praias de Matinhos (inclusive em Caiobá). Os prédios vão ficar, segundo Castella. Eles estão amparados numa legislação federal que garante que as construções feitas 33 metros da preamar poderão ser habitadas desde que seja pago um aluguel para a União pelo uso do solo. ‘‘Os prédios estão ali. Eles foram construídos porque tiveram alvará da Prefeitura para isso. Não foram feitos aleatoriamente’’, informou Paulo Roberto Castella, secretário executivo do Conselho Estadual do Meio Ambiente. Os municípios lutam em Brasília para receber parte dos tributos pagos pelos prédios que estão na orla.
  Em Matinhos, a desocupação será feita do Mercado dos Pescadores até o antigo cemitério. O camping da Paraná Turismo que estava na praia já foi desativado e a estrutura desmontada. Também terão que ser retirados dois imóveis que avançaram sobre a areia na Praia de Leste. Um deles é o da Associação Banestado. Em Shangri-lá, existem duas ocupações de pescadores que terão que ser retiradas – segundo o projeto. Até agora, cerca de dez famílias de pescadores foram colocadas numa área ao lado do Parque Estadual da Onça – a cinco quilômetros da praia. ‘‘Os pescadores estão sendo cadastrados. Agora, estamos investindo numa política de habitação para essas famílias que serão retiradas. O processo é demorado. Existe resistência de grande parte dos pescadores porque eles empurram o barco para o mar e moram do lado. Eles querem saber onde ficarão os barcos e os apetrechos para a pesca. Tudo está sendo organizado’’.
  Na praia só serão permitidas construções pequenas, em distâncias grandes e que possam auxiliar os banhistas na retirada do sal do corpo (pequenos chuveiros. ‘‘Se formos olhar pelo lado ambiental, não poderia construir nada na areia’’, ponderou. Em Guaratuba, a SPU já teria autorizado a construção de quiosques fixos. ‘‘A maior preocupação é que no caso de quiosques com comércio, que se garanta esgotamento sanitário. É uma questão de saúde pública. Tudo terá que ser devidamente canalizado de forma que os dejetos não sejam jogados no mar’’, observou Castella. Um dos objetivos do Projeto Orla é fazer com que os 33 pontos impróprios hoje para banho sejam reduzidos próximo a zero.(L.P.)

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