Responsabilidade social da empresa
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de dezembro de 2000
Miguel Krigsner 
Eu sou uma pessoa que valoriza muito a vida e cada momento de felicidade que experimento. Desde os tempos de estudante, sempre me perguntei como eu poderia devolver para a sociedade e para o País, parte daquilo que eu havia recebido.
E depois, já na vida de empresário, me perguntava e imaginava como uma organização como O Boticário poderia se envolver com uma atividade paralela à sua área principal, exercendo sua parcela de responsabilidade social com a comunidade.
Uma das respostas veio por meio de nossos próprios clientes. Associando nossa marca ao slogan de produtos naturais, os clientes nos enviavam seguidamente propostas de patrocínio para projetos de preservação do meio ambiente.
Muitas dessas propostas eram atendidas, pois sempre tivemos entre nossos ideais um profundo respeito à natureza e a visão de que era necessário preservá-la para as futuras gerações. Mas era necessário organizar o processo de patrocínio: dar a ele profissionalismo, transparência, política, critérios de atuação e divulgá-lo, para que todos pudessem participar.
Assim, começamos a realizar um grande sonho: agir efetivamente na conservação da natureza, através de uma instituição jurídica e profissionalmente constituída para esse fim.
Criamos a Fundação O Boticário de Proteção à Natureza em 1990 e, desde então, a empresa vem contribuindo para vivermos em um mundo melhor. Um mundo que se preocupa com os animais e plantas em extinção, porque sabe que eles são importantes, e que sua importância não se limita à utilidade que possam vir a ter para nós, mas sim porque, na sua biodiversidade, representam toda a riqueza e a vida da Terra.
Paralelamente, seguimos nossa caminhada tendo como meta desenvolver ações voltadas para o bem-estar dos funcionários, diretamente nas comunidades em que estão estabelecidos.
Há dez anos, quando iniciamos o trabalho da Fundação O Boticário, alguns de meus colegas empresários, os jornalistas e os amigos, me perguntavam por que eu havia criado uma instituição e estava doando recursos para projetos de conservação ao lado de tantos outros investimentos na área social que a empresa fazia.
Nos primeiros anos, perdi a conta de quantas vezes tive que dizer sim, essa era a idéia: doar recursos e condições para que outras instituições e pessoas realizassem o seu trabalho de proteger a natureza e assim garantir a sobrevivência humana na Terra.
Eu poderia dizer que faço isso porque ser socialmente responsável, investir no social, ter uma boa relação com a comunidade e com o meio ambiente dá mais lucro para a empresa, ou porque assim mais pessoas melhor qualificadas irão desejar fazer parte da equipe O Boticário, ou porque a comunidade terá uma boa imagem da empresa, ou porque a empresa seria gratificada com o reconhecimento e engajamento dos seus colaboradores e a preferência dos consumidores ou outra série de possíveis benefícios que a empresa teria ao adicionar às suas competências básicas um comportamento ético e socialmente responsável.
Além disso, as pesquisas estão mostrando que os consumidores, ao escolher um produto ou serviço, estão dando cada vez mais importância à postura da empresa em relação ao meio ambiente, ao respeito que ela demonstra às leis e aos direitos humanos e aos investimentos que ela realiza para impactar positivamente a vida da comunidade.
Por que ser socialmente responsável? Porque é bom, é ético, é ser coerente, é praticar o que escrevemos em nossos quadro de valores nas paredes de nossas empresas, porque faz bem à alma, porque nos sentimos mais completos, mais humanos, porque não vale a pena ter uma vida inteira para viver e não deixar nenhuma contribuição para os que viverão aqui depois de nós.
- Miguel Krigsner é presidente do grupo paranaense O Boticário


