Em­bo­ra as pes­qui­sas mos­trem que a ­maior par­te do con­su­mi­dor bra­si­lei­ro ain­da não tem o há­bi­to de pri­vi­le­giar os cha­ma­dos pro­du­tos eco­lo­gi­ca­men­te cor­re­tos, vá­rios se­to­res da in­dús­tria in­ves­tem nes­te seg­men­to com ­olhos no fu­tu­ro e no mer­ca­do in­ter­na­cio­nal. ­Além das gran­des em­pre­sas, já li­ga­das ao co­mér­cio ex­te­rior, pe­que­nos e mé­dios fa­bri­can­tes co­me­çam a pro­du­zir com preo­cu­pa­ção am­bien­tal. No Pa­ra­ná não há nú­me­ros ofi­ciais, mas sa­be-se que o Es­ta­do – de­pois de São Pau­lo – já é o se­gun­do pro­du­tor na­cio­nal de em­ba­la­gens oxi­bio­de­gra­dá­veis, com ­mais de 1,6 bi­lhão de to­ne­la­das/mês.
  O tra­ba­lho de en­ti­da­des am­bien­ta­lis­tas e a de­ter­mi­na­ção do go­ver­no do Es­ta­do, em vi­gor des­de ­maio de 2008, pa­ra que o va­re­jo ado­te em­ba­la­gens am­bien­tal­men­te cor­re­tas con­tri­buem pa­ra a mu­dan­ça de prá­ti­ca das em­pre­sas de plás­ti­co. A em­ba­la­gem oxi­bio­de­gra­dá­vel – que se de­te­rio­ra em um pra­zo mé­dio de um ano e ­meio ao con­trá­rio do plás­ti­co tra­di­cio­nal que po­de fi­car até 400 ­anos na na­tu­re­za – já é rea­li­da­de pa­ra mui­tas em­pre­sas pa­ra­naen­ses.
  Nes­ta li­nha, a Po­li­bag, de Cas­ca­vel (Oes­te), pro­duz 60 to­ne­la­das/mês de sa­co­las des­ti­na­das ao va­re­jo, 40 to­ne­la­das/mês de sa­cos pa­ra li­xo e 10 to­ne­la­das/mês de em­ba­la­gens pa­ra free­zer. A em­pre­sa, com 120 fun­cio­ná­rios, man­tém par­te da pro­du­ção com plás­ti­co tra­di­cio­nal, mas vê ­boas pers­pec­ti­vas de cres­ci­men­to nos oxi­bio­de­gra­dá­veis.
  ‘‘É uma ten­dên­cia mun­dial, não tem co­mo es­ca­par. Da­qui a pou­co o pró­prio go­ver­no vai co­me­çar a exi­gir o uso des­sas em­ba­la­gens no ­geral’’, afir­ma o ge­ren­te co­mer­cial da em­pre­sa, Ri­car­do ­Luis Sig­no­ri. Des­de que a Po­li­bag co­me­çou a tra­ba­lhar com em­ba­la­gens eco­lo­gi­ca­men­te cor­re­tas, há ­três ­anos, o pro­du­to que apre­sen­tou ­maior cres­ci­men­to nas ven­das (60%) foi o sa­co pa­ra li­xo.
  ‘‘Pou­cas em­pre­sas in­ves­tem nes­te ­item (na for­ma oxi­bio­de­gra­dá­vel). ­Além dis­so, é um pro­du­to que de­pen­de do con­su­mi­dor fi­nal, ao con­trá­rio das sa­co­li­nhas, que de­pen­dem dos va­re­jis­tas. Mui­tos de­les ain­da não que­rem pa­gar um pou­co ­mais ca­ro pe­las em­ba­la­gens eco­ló­gi­cas, cu­jo cus­to é 10% aci­ma das ­demais’’, ana­li­sa Sig­no­ri. A em­pre­sa uti­li­za a tec­no­lo­gia oxi­bio­de­gra­dá­vel D2W, de ori­gem in­gle­sa. Tem co­mo prin­ci­pal mer­ca­do a Ba­hia e os es­ta­dos do Su­des­te e do Sul e es­pe­ra um me­lhor mo­men­to da eco­no­mia pa­ra co­me­çar a ex­por­tar.
De­sign
  A ex­por­ta­ção tam­bém es­tá nos pla­nos da Eco­fá­bri­ca, em­pre­sa de Cu­ri­ti­ba, que uti­li­za ma­te­riais re­ci­cla­dos pa­ra fa­bri­car pro­du­tos que tra­zem ‘‘de­sign ­ecológico’’ co­mo bol­sas, mo­chi­las, agen­das, bo­nés, cha­péus, cha­vei­ros, con­vi­tes, en­tre ou­tros. São ­itens fei­tos a par­tir de lo­na de ca­mi­nhão, lo­na de al­go­dão, ju­ta na­tu­ral, Pet 100% re­ci­cla­do, pa­pel re­ci­cla­do e re­ta­lhos de cou­ro. O fo­co é o se­tor dos pre­sen­tes eco­ló­gi­cos. A ­ideia é que as em­pre­sas com­prem os pro­du­tos pa­ra dis­tri­buir aos clien­tes co­mo brin­des.
  Tu­do co­me­çou com a cria­ção de uma agen­da eco­ló­gi­ca em 2003. Des­de en­tão, no­vos ­itens fo­ram in­se­ri­dos e as ven­das cres­ce­ram aci­ma de 100%. ‘‘Co­me­cei so­zi­nha e ho­je te­nho 13 fun­cio­ná­rios. Ain­da so­mos uma em­pre­sa pe­que­na, mas ve­jo pers­pec­ti­vas, ape­sar da fal­ta de in­cen­ti­vo do go­ver­no. In­vis­to nes­te se­tor não só por­que acre­di­to ne­le, mas por­que ­gosto’’, diz a de­sig­ner Sô­nia Kno­pik, pro­prie­tá­ria da em­pre­sa.
  Sem re­ve­lar nú­me­ros, ela diz que ven­de ‘‘pa­ra to­do o ­Brasil’’ e que o ­item ­mais pro­cu­ra­do é a eco­bag (sa­co­la re­tor­ná­vel) ‘‘por­que es­tá na ­moda’’. Por en­quan­to, são acei­tas en­co­men­das aci­ma de 100 pe­ças, mas em bre­ve de­ver ser lan­ça­da a lo­ja vir­tual pa­ra a ven­da di­re­ta ao con­su­mi­dor.
  ‘‘­Mais do que nun­ca, as pes­soas pre­ci­sam se cons­cien­ti­zar da ne­ces­si­da­de de se pro­du­zir me­nos li­xo, de se­pa­rar o li­xo, de re­ci­clar. Atua­mos num se­tor que pre­ci­sa cres­cer, não tem ­mais vol­ta. E es­ta­mos mui­to aten­tos a ­isso’’, ob­ser­va Sô­nia.

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