RESPONSABILIDADE AMBIENTAL - Indústrias de olho no futuro
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de setembro de 2009
Gisele Mendonça<br> Reportagem Local 
Embora as pesquisas mostrem que a maior parte do consumidor brasileiro ainda não tem o hábito de privilegiar os chamados produtos ecologicamente corretos, vários setores da indústria investem neste segmento com olhos no futuro e no mercado internacional. Além das grandes empresas, já ligadas ao comércio exterior, pequenos e médios fabricantes começam a produzir com preocupação ambiental. No Paraná não há números oficiais, mas sabe-se que o Estado depois de São Paulo já é o segundo produtor nacional de embalagens oxibiodegradáveis, com mais de 1,6 bilhão de toneladas/mês.
O trabalho de entidades ambientalistas e a determinação do governo do Estado, em vigor desde maio de 2008, para que o varejo adote embalagens ambientalmente corretas contribuem para a mudança de prática das empresas de plástico. A embalagem oxibiodegradável que se deteriora em um prazo médio de um ano e meio ao contrário do plástico tradicional que pode ficar até 400 anos na natureza já é realidade para muitas empresas paranaenses.
Nesta linha, a Polibag, de Cascavel (Oeste), produz 60 toneladas/mês de sacolas destinadas ao varejo, 40 toneladas/mês de sacos para lixo e 10 toneladas/mês de embalagens para freezer. A empresa, com 120 funcionários, mantém parte da produção com plástico tradicional, mas vê boas perspectivas de crescimento nos oxibiodegradáveis.
É uma tendência mundial, não tem como escapar. Daqui a pouco o próprio governo vai começar a exigir o uso dessas embalagens no geral, afirma o gerente comercial da empresa, Ricardo Luis Signori. Desde que a Polibag começou a trabalhar com embalagens ecologicamente corretas, há três anos, o produto que apresentou maior crescimento nas vendas (60%) foi o saco para lixo.
Poucas empresas investem neste item (na forma oxibiodegradável). Além disso, é um produto que depende do consumidor final, ao contrário das sacolinhas, que dependem dos varejistas. Muitos deles ainda não querem pagar um pouco mais caro pelas embalagens ecológicas, cujo custo é 10% acima das demais, analisa Signori. A empresa utiliza a tecnologia oxibiodegradável D2W, de origem inglesa. Tem como principal mercado a Bahia e os estados do Sudeste e do Sul e espera um melhor momento da economia para começar a exportar.
Design
A exportação também está nos planos da Ecofábrica, empresa de Curitiba, que utiliza materiais reciclados para fabricar produtos que trazem design ecológico como bolsas, mochilas, agendas, bonés, chapéus, chaveiros, convites, entre outros. São itens feitos a partir de lona de caminhão, lona de algodão, juta natural, Pet 100% reciclado, papel reciclado e retalhos de couro. O foco é o setor dos presentes ecológicos. A ideia é que as empresas comprem os produtos para distribuir aos clientes como brindes.
Tudo começou com a criação de uma agenda ecológica em 2003. Desde então, novos itens foram inseridos e as vendas cresceram acima de 100%. Comecei sozinha e hoje tenho 13 funcionários. Ainda somos uma empresa pequena, mas vejo perspectivas, apesar da falta de incentivo do governo. Invisto neste setor não só porque acredito nele, mas porque gosto, diz a designer Sônia Knopik, proprietária da empresa.
Sem revelar números, ela diz que vende para todo o Brasil e que o item mais procurado é a ecobag (sacola retornável) porque está na moda. Por enquanto, são aceitas encomendas acima de 100 peças, mas em breve dever ser lançada a loja virtual para a venda direta ao consumidor.
Mais do que nunca, as pessoas precisam se conscientizar da necessidade de se produzir menos lixo, de separar o lixo, de reciclar. Atuamos num setor que precisa crescer, não tem mais volta. E estamos muito atentos a isso, observa Sônia.


