São Paulo - Amarelinha, cabra-cega, bafo, bolinha de gude, passa-anel e tantas outras brincadeiras do passado são desconhecidas da maioria das crianças de hoje. Elas preferem mesmo é passar horas a fio jogando no computador e em frente à tevê, para preocupação dos pais. Fazê-los ter interesse por outras atividades parece uma missão impossível mas, segundo a psicanalista Vera Iaconelli, mestre em Psicologia pela USP, isso não é tão difícil assim. ''O primeiro passo é incentivar a visita dos amigos, permitir que o amiguinho vá à sua casa e que seu filho vá à dele''.

Mas a família também precisa dar exemplo. ''Não adianta querer que o filho não jogue no computador se ele vê o pai ou a mãe fazendo isso. Os jogos, por exemplo, são uma forma de interação familiar'', sugere.

A terceira e fundamental dica de Vera é a restrição de horário. ''A tevê e o computador devem ser usados como instrumento de educação e não como babás eletrônicas. A partir do momento em que se restringe seu uso, os pequenos arrumam o que fazer, como desenhar. Também podemos convidá-los a preparar alguma coisa na cozinha. Minhas filhas costumam fazer pizza, usando massa congelada e usando como recheio o que tiver na geladeira'', revela.

A participação dos pais nesse ''resgate'' dos pimpolhos também é enfatizado pela pedagoga Sueli Rodrigues. ''Orientamos os pais a terem horário para brincar com suas crianças. O tempo disponível deve ser de qualidade'', avisa.

Nesse momento, segundo Sueli, vale tudo. Desde levar a prole para andar de bicicleta no parque até ensinar os pequeninos a brincar de corre-cotia, queimada e de roda. ''São brincadeiras que ensinam respeito às regras, melhoram a coordenação motora e a percepção''.

Confira, na sequência, passatempos que fizeram parte do dia-a-dia de nossos avós e vão proporcionar prazer e alegria à garotada:

Boca de forno
Nesta brincadeira, a criançada elege ''o senhor'', ''chefe'', ''amo'' ou ''mestre''. E esse líder dará as ordens, que deverão ser cumpridas pelos demais. Ela pode ser, por exemplo, ter de encontrar um objeto e, se não o fizer, ser obrigado a dançar ou a imitar um bicho. As falas do Boca de Forno são:
- Mestre: Boca de Forno.
- Criança: Forno
- Mestre: Farão tudo o que seu mestre mandar?
- Crianças: Faremos!
- Mestre: E se não fizer?
- Crianças: Tomaremos bolo!
O mestre então manda que as crianças façam determinada coisa e a brincadeira segue.

Cabra-Cega
A brincadeira começa com as crianças sentadas em círculo. Uma delas estará fora do círculo com um lenço na mão. As crianças começam a recitar: ''Corre Cotia, na casa da tia, corre cipó, na casa da vó, lencinho na mão, caiu no chão, moça bonita do meu coração''. Enquanto isso, com o lenço na mão, a criança vai correndo em volta do círculo e todas recitam o versinho. Quando as crianças acabam de recitar, quem está com o lenço na mão escolhe uma criança e coloca o lenço atrás dela. Elas trocam de lugar e a brincadeira recomeça.

Bafo-Bafo
Os apaixonados pelos álbuns de figurinhas podem usar as repetidas para a brincadeira. Depois de organizar um monte delas as crianças devem combinar quantas devem virar para cima quando elas baterem. Quem conseguir virá-las ganha as figuras.

Esconde-Esconde
Também conhecido como pique-esconde. Uma criança esconde o rosto com os olhos vendados e conta os números em voz alta e pausadamente. Os amigos vão se esconder e, quando ela terminar de contar - até dez ou cem, dependendo do que foi combinado - vai procurar a turma. O primeiro a ser encontrado será o próximo a bater cara. As demais podem se salvar individualmente, batendo no local da contagem ou salvando todas dizendo: Um, dois, três, salvo todos!

Bolinha de gude
No interior do estado de São Paulo e algumas regiões do Nordeste é conhecida como burca ou burquinha. Risca-se um triângulo no chão, onde cada um dos jogadores coloca suas bolinhas de gude. A partir daí, as crianças passam a se revezar usando uma bolinha para acertar nas demais, até que não existam mais bolinhas para serem atingidas dentro do triângulo.

Passa-anel
As crianças colocam-se em fila, lado a lado, sentadas ou em pé, com as mãos unidas. Uma delas é escolhida para passar o anel que está entre as mãos da criança. Inicia-se o jogo com a criança que está com o anel, passando por todas as crianças, uma por uma. Ela escolhe com quem deixará a peça e, disfarçadamente, lhe diz: ''Tome este anelzinho e não diga nada a ninguém''. Na sequência, ela pergunta a qualquer uma das crianças, menos àquela que está com o anel: Com quem você acha que está o anel? Se a criança escolhida acertar, será a próxima a passar o anel. Se errar, paga uma prenda.

Dança das cadeiras
Conte o número de crianças e coloque uma cadeira a menos. Coloque uma música e interrompa-a repentinamente. Quem não estiver sentado será eliminado. A brincadeira termina quando só uma criança ficar sentada. Ela será a vencedora.

Brincadeira de roda
Os pequenos formam uma roda de mãos dadas e cantam melodias folclóricas, podendo executar ou não coreografias acerca da letra da música. Entre as melodias mais conhecidas estão ''Roda pião'', ''Escravos de Jó'', ''Rosa juvenil'', ''Sapo Jururu'', ''O cravo e a rosa'' e ''Atirei o pau no gato''. Sugestões de CDs para colocar durante a brincadeira ''Meninos de Araçuaí - Roda que Rola'' e ''Cantigas de Roda'', de Hélio Ziskind.


Amarelinha
Também conhecida como ‘‘Pular amarelinha’’, é uma brincadeira que estimula a criança a ter noções dos números, trabalhando a ordem das casas numéricas do número um ao dez. Também estimula a habilidade do equilíbrio, pois nas áreas em que não existem associações de casas, ou seja, nos quadrados 1 - 4 - 7 - 10, as crianças podem colocar apenas um pé e, nas demais, com casas juntas: 2 e 3, 5 e 6, 8 e 9 e Céu, podem e devem colocar os dois pés.

Fonte: Vera Iaconelli / Mestre em Psicologia pela USP - (11) 3032-6905 / AE

mockup