Lápis deixou poucos registros de sua obra. Amigos e familiares do compositor relatam que essa é uma grande dificuldade para levar a música de Palminor às novas gerações. ''Ele fez poucas gravações e não escrevia (partitura). Tem que recuperar na lembrança. Um amigo do Norte do Brasil tem um rolo com gravações do Lápis. Emprestamos o rolo para ele e ele não devolveu. Eu tenho muitas letras do Lápis, mas não tenho as melodias'', explica Cremildes.
''Havia uma fita, editada pela Fundação Cultural de Curitiba logo após a morte do Lápis. Ali, havia gravações dele, do Bitten IV, interpretações, registros de coletâneas, coisas extraídas do show 'Funeral para Um Rei Negro'. Essa fita nunca foi reeditada e acho que foi o registro mais completo dele'', explica Paulo Vítola.
Outros registros são gravações que outros artistas fizeram de composições de Lápis, como Eliana Pittman e Originais do Samba. Em todo caso, pessoas que trabalharam com Palminor e admiradores da obra dele há alguns anos iniciaram um projeto de resgate das canções.
Segundo o professor aposentado e músico Jazomar Vieira da Rocha, que tocou com Lápis na década de 1970, esse trabalho já rendeu um CD, ''A Lápis'', shows e vai gerar a gravação de outro CD, ''Samba na Ponta do Lápis'', que deverá ser duplo, com 30 músicas. ''Conhecemos aproximadamente 50 canções dele. Outra idéia que temos é fazer um songbook'', explica Rocha.
Essas iniciativas resgatam a figura do cantor e compositor que Paulo Vítola descreve como ''o último grande artista da música curitibana''. ''Na época dele, a noite curitibana acontecia toda no mesmo circuito. Hoje, ela acontece em tantos lugares que é impossível uma pessoa só 'dominar'. O Lápis reinava absoluto'', garante o amigo. (F.G.)

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