Em meio ao concreto de arranha-céus, edifícios residenciais, comerciais, terminais de ônibus, estradas, viadutos, trincheiras, shoppings, as áreas verdes ainda sobrevivem em Curitiba. Hoje, 5 de junho é Dia Mundial do Meio Ambiente, data colocada como momento de reflexão e reinvindicações sobre a cena que nos cerca e mais, sobre o que representa a preservação da natureza. Entretanto, discussões da mesma grandeza do desmatamento da Amazônia passam longe da realidade de Curitiba. Pelo contrário, a capital do Paraná conseguiu estabilizar o número de maciços florestais na cidade.
Segundo a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA), o último levantamento realizado pelo órgão, em 2005, em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), revelou que a cidade possui 49,02 metros quadrados por habitante de maciço florestal e 2,48 metros quadrados de cobertura de arborização nas vias públicas, ou seja, um total de 51,5 metros quadrados de área verde por habitante em Curitiba. Em 1988, quando foi realizado o primeiro levantamento, os técnicos do setor concluíram que havia 50,15 metros quadrados de área verde na capital. A próxima análise deve ser concluída ao fim deste ano.
Para continuar a preservação desta extensão verde na cidade, a comunidade do bairro Santa Felicidade se mobilizou em 2002 e constituiu uma carta, em que várias metas foram traçadas nas áreas do meio ambiente, segurança, turismo e ações sociais com o intuito de assegurar a qualidade de vida da região para as futuras gerações. Entre as metas ambientais estava a despoluição do rio Cascatinha, que nasce e deságua em Santa Felicidade, até 2010.
Com este objetivo, em 2004, as empresas Borges dos Reis e Conceito & Moradia, proprietárias da área onde corre o rio, criaram a Reserva Ecológica Cascatinha. ''Não fosse o nosso projeto, a questão do meio ambiente em Santa Felicidade não teria sido levantada. Conseguimos atingir todos os nossos objetivos'', lembrou o integrante da família que iniciou o projeto, Ricardo Borges dos Reis.
A Reserva inspirou mais tarde a criação da lei 12.080/2006 que instituía a Reserva Particular de Patrimônio Natural Municipal (RPPNM). A primeira e única RPPNM de Curitiba é a do Cascatinha. ''Com a criação da RPPNM ampliou-se a parceria que já havia com a população'', explicou o coordenador de Fauna e Flora da SMMA, Alfredo Trindade.
Trindade ainda contou que há vários pedidos sendo analisados para transformar áreas verdes em reservas particulares. ''Há mil áreas com potencial para ser RPPNM em Curitiba'', afirmou.
O coordenador informou que a prefeitura pretende transformar esta área em potencial de preservação em RPPNM até 2020. ''Nós estamos listando as mil áreas e enviaremos cartas para seus proprietários para fazer a parceria'', ressaltou.
A segunda reserva particular deve ser no bairro Campo Comprido, numa área de 14 mil metros quadrados, de propriedade do empresário Orlando Cini Júnior, que demonstrou satisfação em preservar um local único no bairro. ''Já houve a primeira vistoria da prefeitura e fui elogiado. Eu optei mesmo em preservar. Eles disseram que a área estava em melhores condições do que outras visitadas'', contou Cini, com orgulho, que teve sua área valorizada depois que a vizinhança desmatou as propriedades ao redor do local, que fica a 4 quilômetros da Praça do Batel.
De acordo com Marília Burko, bióloga da Organização Não-Governamental (ONG), Serviço de Proteção as Vidas Selvagens e Educação Ambiental (SPVS), as RPPNM é uma iniciativa muito interessante. ''A idéia é atrair e preservar a fauna, os animais, que sobrevivem nestes locais, além da qualidade da água de rios e a regulação climática, que interfere nas vidas dos animais'', explicou a bióloga.
Os proprietários de imóveis atingidos por mais de 70% de sua área coberta de vegetação nativa poderá requerer ao município a sua transformação em RPPNM. Em troca, o proprietário receberá a transferência de potencial construtivo para outros imóveis. Entretanto, o dono da reserva particular tem a obrigação de cercar toda área com grade, tela ou muro, realizar a manutenção e a segurança na área e promover a averbação do termo à margem da matrícula imobiliária.


Prefeitura recebeu 721 denúncias sobre corte ilegal de árvores
  O clima de preservação ambiental nem sempre atinge todas as pessoas. Segundo a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA), em 2007 aconteceram 721 denúncias de corte ilegal de árvores em áreas públicas e particulares de Curitiba. O total de denúncias gerou 77 multas e 102 notificações. Neste ano, até o mês de maio, já foram realizadas 324 denúncias alertando a prefeitura sobre o problema, com 26 multas e 35 notificações.
  ‘‘Existem vários caminhos para as pessoas cortarem árvores’’, explicou o coordenador de Fauna e Flora da SMMA, Alfredo Trindade. Segundo ele, há cinco regionais na cidade, nos bairros Boa Vista, Boqueirão, Santa Felicidade, Pinheirinho e Centro. ‘‘A pessoa que quiser cortar árvore protocola o pedido e nós avaliamos’’, contou.
  Trindade falou que seria um processo que duraria no máximo 15 dias. Contanto, ele alerta, as árvores só serão cortadas se for realmente necessário. ‘‘É uma política de meio ambiente de 1975, que melhora a qualidade de vida’’, lembrou.
  Para conscientizar as pessoas da importância de cultivar árvores de mata nativa em casa, a prefeitura e a ong SPVS devem firmar um convênio que possibilitará que agentes autorizados percorram a cidade falando com os moradores. ‘‘A SPVS já faz isso desde o ano 2000 com o nome de Condomínio da Biodiversidade. O convênio com a prefeitura ainda não foi oficializado. Mas agora o pessoal da prefeitura também percorreria a cidade. O objetivo é orientar as pessoas e incentivá-las a plantar as árvores de espécies nativa em seus quintis, árvores de pequeno porte, como pitanga, araçá, por exemplo’’, afirmou.
  Denúncias sobre corte ilegal de árvores podem ser feitas pelo número de telefone da prefeitura 156. Pelo mesmo número, os moradores que pretendem cortar árvores legalmente podem receber orientações de como fazer corretamente. (D.R.)

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