Independente das últimas pesquisas, que apontavam a derrota para o governador Jaime Lerner (PFL) no primeiro turno, o senador Roberto Requião (PMDB) procurou demonstrar ontem que estava confiante na vitória para o governo do Paraná. Requião votou às 8h45, no Colégio Júlia Vanderlei, em Curitiba, acompanhado da família. Bem humorado, mas sem perder a acidez, ele fez críticas ao processo eleitoral. ‘‘A reeleição é um golpe de Estado montado pelo Fernando Henrique. É uma brutalidade. Fiz uma campanha gastando uma verdadeira miséria e deparei com uma campanha de milhões de reais’’, afirmou.
Requião disse que quer mudar a Lei Eleitoral. ‘‘Até o dia 1º de janeiro eu pretendo mexer, junto com outros senadores, na legislação, pois os institutos de pesquisa brincam com a eleição’’, afirmou. Insistindo na vitória, Requião reafirmou que os primeiros atos como governador seriam acabar com o pedágio e rever o contrato com as montadoras automobilísticas, os quais considera imorais.
Assim que deixou sua seção, Requião fez questão de acompanhar o primeiro voto da filha Roberta, 16 anos, que votou na Faculdade Tuiuti. Com um botton do Lula no peito, a garota disse que quis votar para eleger o pai e por achar um momento importante para o Brasil. ‘‘Escolher quem vai governar o País e o Estado é demais’’, disse ela.
Quando acompanhava o voto da mulher, Maristela Requião, o candidato teve uma surpresa. Encontrou-se cara a cara com o candidato ao Senado, Álvaro Dias (PSDB), que também acompanhava a mulher, Débora Dias, que vota no mesmo colégio que Maristela. Minutos de constrangimento e Requião quebrou o gelo: ‘‘Álvaro, vim trazer a Maristela pela mão, porque, senão, nem ela votaria em mim. Isto aqui, é o voto de cabresto...’’
Ex-aliados, mas estremecidos desde a derrota de Álvaro para Lerner, em 94, os dois não deixaram transparecer as divergências, mas foram descontraídos. ‘‘Ainda não votei, você tem algum tempo para me convencer’’, brincou Álvaro, que votaria em Londrina, e não quis revelar em quem votaria para governador. ‘‘A aliança que firmei com o presidente Fernando Henrique me impede de dizer’’, desconversou.
Requião foi direto. ‘‘Votei no Nedson para o Senado. A diferença entre mim e o Álvaro é que eu declaro o meu voto’’, alfinetou. Durante o restante da tarde, Requião preferiu ficar em casa. ‘‘Estou cansado e não adiantaria tentar convencer eleitores a votar em mim na última hora. A minha parte fiz durante a campanha’’, afirmou.

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