Requião coleciona conflitos
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domingo, 27 de janeiro de 2008
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - 2008 mal começou, mas a briga entre o governador Roberto Requião (PMDB) e um desembargador do Tribunal Regional Federal (TRF) de Porto Alegre já foi destaque na mídia nacional. Trata-se de mais um capítulo na conturbada vida política do peemedebista, que já criou atritos com a imprensa, secretários de Estado, aliados e desafetos políticos, Judiciário, Ministério Público, entre outros.
Logo no início de 2007, quando Requião iniciava o seu terceiro mandato à frente do governo, outra briga se anunciava: contra a imprensa, em parte responsável, segundo ele, pela vitória apertada que obteve nas urnas. Ainda em janeiro, novo conflito, com o seu então secretário de Estado de Obras Públicas, que, em frente às televisões que acompanhavam a inauguração do Palácio das Araucárias, acabou sendo repreendido pelo peemedebista, surpreso e irritado com as divisórias erguidas no local.
O último ''puxão-de-orelha'' público é recente. Terça-feira passada, Requião agrediu verbalmente, diante da imprensa e de secretários de Estado, a então procuradora-geral do Estado, Jozélia Nogueira. Ela pediu demissão em seguida. Não foi a primeira a sair do posto criticando as atitudes do governador. Jozélia entrou no lugar de Sérgio Botto de Lacerda, que saiu do cargo em março do ano passado em meio a desentendimentos com Requião e membros do primeiro escalão.
Os conflitos continuaram ao longo de 2007, mas o ''estilo'' à frente da administração pública vem desde o seu primeiro mandato no governo do Paraná, entre 1991 e 1994. Naquela época, Requião entrou em conflito com membros do Judiciário ao vetar o reajuste salarial solicitado pelo Poder. Já no início do seu segundo mandato, de 2003 a 2006, Requião decidiu romper acordos firmados na gestão Lerner, mesmo que de forma unilateral.
Em 2003, Requião cortou o pagamento mensal à empresa norte-americana El Paso, detentora de 60% das ações da Usina Elétrica a Gás de Araucária (UEGA), junto com a Copel (20%) e a Petrobras (20%). O peemedebista alegou que a El Paso não teria cumprido com seus deveres em contrato. Por conta da interrupção do pagamento, a El Paso moveu uma ação contra o governo, pedindo uma indenização à Copel de US$ 800 milhões. A briga entre a Copel e a El Paso só foi encerrada em 2006, quando a norte-americana vendeu suas ações na UEGA ao Estado por US$ 190 milhões.
Em 2004, o Estado também passou a ser multado mensalmente pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) porque Requião interrompeu o pagamento feito ao banco Itaú relativo aos títulos públicos do Banestado (assumidos pelo governo do Paraná antes da venda do Banestado ao Itaú). O Estado alega que os títulos públicos não têm valor de mercado e que só foram assumidos por determinação do governo federal. A briga com o Itaú só foi terminar no final do ano passado, quando o banco privado achou que a melhor saída para o impasse era de fato cobrar da União o pagamento dos títulos públicos, o que já estava sendo articulado pelo governador. Apesar do acordo, e de uma resolução aprovada no Senado transferindo as responsabilidades, a briga com a STN permanece: mais R$ 5 milhões foram retidos no último dia 10 dos cofres do Estado.
Em setembro de 2005, Requião também anulou um termo aditivo no contrato que prorrogava a exclusividade do Itaú sobre as contas do Executivo até 2010. A intenção era que as contas fossem geridas somente por bancos públicos.


