República é opção econômica para estudantes
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de janeiro de 2007
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Todo mundo está cansado de escutar que dinheiro é um problema para os estudantes universitários. Quando as portas da faculdade se abrem, a prioridade passa a ser a graduação. Quem opta por algum curso de período integral não pode nem pensar em trabalhar. Já os que estudam meio período têm que se preocupar com estágios, pesquisas, trabalhos da faculdade e, dessa forma, não podem arranjar um emprego que exija muitas horas de dedicação. Conseqüentemente, o rendimento financeiro fica abaixo do que o estudante gostaria.
Para aqueles que vêm de outras cidades para estudar em Londrina, o problema se agrava ainda mais, pois é preciso conseguir moradia, o que geralmente pesa no bolso. Uma opção para quem quer economizar, gosta de agito e divide numa boa os seus espaços é morar numa república.
Em Londrina, existem vários desses espaços democráticos, onde os moradores juram que convivem numa boa, com pequenos atritos de vez em quando. Para saber como funciona na prática, a FOLHA visitou a República da Zica, moradia de seis jovens entre 20 e 27 anos.
O nome é uma homenagem à mascote da casa, a cadela pit bull Zica. Dos seis moradores, Shirley Sebastião, Luís Manchini, Juliana Monteiro e Rafael Souza são estudantes do curso de geografia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Sandra e Renato Sebastião não são universitários. Os dois, que são irmãos de Shirley, vieram de Jardim Alegre (115 Km ao Sul de Apucarana) apenas para trabalhar.
Rafael é de São José do Rio Preto e Juliana, de Tanabi, cidades do interior de São Paulo. Luís é londrinense, mas o desejo de viver com gente de sua geração o fez trocar a casa dos avôs pela República da Zica.
Eles são unânimes quando questionados se é bom morar por ali: a resposta é positiva. Sobre a economia proporcionada pelo racha das
despesas, eles também dizem que compensam. Moramos em um sobrado de quatro quartos, bem localizado, com uma bela vista do Lago Igapó 2, e o aluguel fica em
R$ 130 para cada morador, explica Sandra. As depesas com água, luz e supermercado são divididas em partes iguais. Por enquanto, não
há telefone na casa.
Regras Quando o assunto é convivência, várias regras precisam ser definidas para manter a ordem e a paz do local. Afixada na porta da geladeira, uma lista de tarefas. Quem não cumpre, leva multa. O infrator tem que pagar uma caixa de cerveja no domingo e não pode beber, apenas apreciar os outros bebendo, conta Luís.
Além disso, os problemas que surgem em qualquer lugar onde várias pessoas dividem o mesmo espaço são resolvidos na base da conversa. Optamos pela franqueza. Quando alguém está insatisfeito, a liberdade é total para dizer aos outros, revela Sandra. Luís completa: Aqui todo mundo é de boa, somos grandes amigos, por isso não tem muita briga.
Questionados sobre o maior problema de morar
numa república, a turma da Zica tem a resposta na ponta da língua: os pequenos
desentendimentos que acontecem, às vezes, com a
vizinhança. A gente joga truco, bebe cerveja e fala alto. Isso acontece até as primeiras horas da madrugada. Queremos diversão e os vizinhos querem dormir, isso causa alguns problemas
finaliza Renato.


