Repressão pura e simples tem se mostrado inóqua
Para o professor e coordenador do Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Pedro Bodê, o caso de Fazenda Rio Grande reflete a necessidade de reforma do sistema de justiça criminal brasileiro, que tem sido repressor e punitivo. ''Nesses momentos a população acaba pedindo o que já conhece por sua ineficiência, que é mais repressão. Querem mais polícia. Pedem mais do mesmo'', observa.
Segundo o professor, não adianta aumentar o número de policiais sem que se faça uma reforma no entendimento do que representa a polícia hoje. ''Prisão deve ser para casos muito graves. O drogatito precisa de médico, tratamentos que venham acompanhados de políticas públicas efetivas'', defende. De acordo com o professor, o desafio é quebrar esse círculo vicioso. ''A repressão tem hoje muito mais dinheiro do que a educação e os tratamentos'', lamenta.
O tráfico de drogas ocupa lugar de destaque hoje entre os crimes internacionais e é um dos maiores fomentadores da violação de direitos humanos e civis, explica Bodê. ''A população está refém dos traficantes. Mas a repressão pura e simples tem se mostrado absolutamente inóqua. Em vez de encher a cadeia de jovens de 18 a 25 anos, não é hora de pensar esse problema com outros olhos?'', desafia.
Conforme o professor, é preciso deslocar o foco do problema do paradigma repressivo para o da saúde pública. ''A questão do tráfico de drogas é muito parecida em todas as classes sociais. Então por que só quem é pobre morre?'', questiona. ''É um problema que atinge a todos e só as populações mais pobres sofrem e, pior ainda, são identificados como os criminosos'', completa. (D.R.)





