Repórteres criaram a Folha da Sexta
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de novembro de 1998
Zilma Santos 
É gratificante saber que tivemos uma boa idéia há 18 anos que ainda hoje é uma boa idéia. É assim que a jornalista Ligia Barroso fala sobre a Folha da Sexta, o suplemento de maior sucesso da Folha. Por trás dessa idéia, além de Ligia Barroso estavam também Justino Vilela Junior, o Tininho, e Regina Menezes.
O Justino fazia uma página semanal para jovens, eu era repórter de cidades mas escrevia uma coluna chamada Mulher no Caderno 2, e a Regina fazia a Folhinha da Folha, lembra Ligia. Um dia o Walmor Macarini nos chamou e disse que o jornal precisava diminuir custos e esses espaços iam deixar de existir. Foi quando tivemos a idéia de juntar os três assuntos num caderno que se auto-financiasse, um roteiro de lazer para o final de semana. O Walmor achou a idéia interessante e sugeriu que falássemos com o departamento comercial. Para mostrar que era viável nos propusemos a vender a idéia para quem poderia comprar: barzinhos, lojas, restaurantes.Mario CésarFolha da Sexta, suplemento formato por seis jornalistas
Da idéia ao produto final foram menos de dois meses. O primeiro número circulou em 20 de junho de 1980 e, segundo Ligia, superou as expectativas. Ela lembra que, no início, o grande lance da Folha da Sexta era o público. Nosso leitor era muito específico, gente que circulava pela cidade e que era ao mesmo tempo nossa fonte de informação e também a notícia. O caderno era praticamente todo vendido e criávamos toda uma movimentação em torno do que divulgávamos, como festas e desfiles de moda, frisa.
Na opinião da jornalista, a mudança mais marcante no suplemento hoje é o crescimento editorial. É um suplemento que vende muito bem e a sustentação comercial possibilitou uma abertura editorial, um crescimento jornalístico. É extremamente gratificante saber que você criou um produto que está há 18 anos no mercado e atingiu a fase adulta: cresceu editorialmente, tem um formato definido, está estadualizado. Justino Vilela deixou a Folha da Sexta no final de 1982, e Ligia Barroso permaneceu até agosto de 1983, quando passou a parte editorial para Lina Menezes.
Atualmente a equipe do suplemento é formada por seis jornalistas. Cláudia Costa, editora há 11 anos, diz que a Folha da Sexta passou por várias fases mas não mudou seu perfil editorial. O carro-chefe ainda são as matérias comportamentais, mas o suplemento tem o formato de revista e traz um leque de assuntos abrangente. Nossa preocupação é estar sempre em cima dos fatos, em sintonia com o que ocorre no País. No caso de moda, por exemplo, participando de eventos em São Paulo e Rio, ficamos atualizados e quem ganha é o leitor, completa.


