Tradicionalmente, o Noroeste do Estado, com destaque para a região da Associação dos Municípios de Entre-Rios (Amerios), que tem como pólo a cidade de Umuarama, tem se destacado como grande produtora de carne e leite, onde no primeiro caso ocupamos o primeiro lugar no Estado e no segundo, um honroso terceiro lugar.
Esta classificação, no entanto, está mais caracterizada pelas nossas extensas áreas agrícolas do que por índices de produtividade, onde a pesquisa tem produzido farto material, que permite uma ampla modernização dos fatores de produção e permite um salto nos índices, tanto técnico como econômicos e até gerenciais.
A extensão rural, por sua vez, se faz presente em todos os municípios da região, permitindo repassar os dados da pesquisa e estabelecer uma cadeia de troca de experiências entre técnicos, pesquisadores e produtores, buscando esta modernização que realmente estabelecerá um rumo produtivo e econômico para nossa região. Todas estas constatações nos levam a pensar que a realidade agrícola regional, que não difere da do Paraná e do Brasil, passa por um período de dificuldades que, provavelmente, seja um dos mais acentuados da nossa história.
As competições externas, com a abertura do mercado, os baixos índices de produtividade, a indefinição de uma política agrícola clara e transparente, recursos escassos, a idade média dos produtores já avançada, a falta de motivação dos mais jovens e, por fim, a perda de recursos naturais dos nossos solos, têm levado a considerar a agropecuária, ou, o setor primário da produção, como uma coisa de alto risco e sem perspectivas de solução. Acreditando que a adversidade tem que se transformar em oportunidade, é que nesta reflexão abrimos os olhos para os potenciais da nossa região:
Produção de grãos: a região se vislumbra como uma nova fronteira para a produção de grãos, com destaque para a soja, com tecnologia própria e índices de produtividade até superiores aos das regiões tradicionais produtoras. O incentivo para a produção de grãos foi alavancado com a criação do Pater (Programa de Arrendamento de Terras), iniciativa da Prefeitura de Umuarama e que hoje conta com apoio e a participação das cooperativas regionais Cocamar e Coagel, Iapar, Emater-PR e da Associação dos Engenheiros Agrônomos.
A perspectiva e a opção da produção de soja no arenito descortina não só uma nova paisagem à região, mas como opção econômica de recuperação das pastagens, com esta cultura e, ainda, a adição das lavouras de inverno, tanto para o manejo e conservação dos solos, como para a alimentação animal.
Pecuária de corte e leite: a região, por suas características naturais, é propícia para a produção de pastagens, que permite ampla cobertura dos solos e por ser perene, há menos possibilidade de ocorrer o processo erosivo.
A região tem aproximadamente 900 mil hectares de pastagens, dos quais, aproximadamente 80% necessitam passar por um processo de reforma, sobre o qual acreditamos no potencial das culturas de produção de grãos. A produção de carne está sendo incentivada através da Pecuária de Curta Duração, onde a Emater-PR, fundamentada nas pesquisas, está estabelecendo com os fazendeiros da região uma parceria para a introdução de tecnologias.
A produção de leite está baseada num programa onde a principal atividade está ligada à organização dos produtores, para que atuem nos fatores produtivos, dentro e fora das porteiras das propriedades, buscando a melhoria da produção, tanto em quantidade como em qualidade.
Fruticultura: a região tem uma aptidão muito forte para a produção de frutas e alguns nichos de produção têm se destacado e nos mostra a sua viabilidade, tanto técnica como econômica. Num hectare de terra, com a produção de frutas é possível atingir médias de até 40 vezes superiores à renda obtida com culturas tradicionais.
Madeira/olericultura: o processo madeira e as olerículas também são objetos de estudo e programas especiais, na busca da sustentabilidade econômica da nossa agropecuária.
Café: esta cultura, sem dúvida, é a que mais se aproxima da tradição de exploração, bem como das características produtivas dos nossos solos. A versão do café adensado tem dado resposta altamente significativa em termos de produção. O processo café, desenvolvido para a região, faz com que os técnicos estejam na vanguarda como excelência em termos de domínio da tecnologia e alcance índices de produtividade.
Os produtos e processos arrolados aqui são apenas alguns indicadores que destacam a nossa região, como grande promissora na produção de alimentos e com potencial para uma agropecuária moderna e sustentável. É necessário, apenas, acreditarmos no potencial desta região e somarmos os esforços necessários para a busca do seu desenvolvimento. Gostaria de encerrar com a famosa frase de Pero Vaz de Caminha, na sua carta ao rei de Portugal ao relatar o descobrimento do Brasil: ''Nesta terra em se plantando tudo dá''.
- GERALDO SINCERO SOBRINHO é zootecnista e gerente regional da Emater-PR em Umuarama

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