Ana Magdalena Horta
Agência O Globo
Seria de se esperar que, dois mil anos depois, a figura e a influência de Jesus Cristo entrassem em rota declinante. Mas tudo aponta para uma tendência oposta. Vivemos, neste fim de século, uma renovação do fenômeno religioso, assinalam os especialistas. Não se trata somente do crescimento de seitas e da reaparição de temas místicos impulsionados pelos ares de mudança do milênio. A religiosidade que ganha força é sobretudo aquela que resgata a herança cristã.
- Há uma transformação muito grande do campo religioso. A religião tem crescido também como fenômeno social – diz a pesquisadora do Instituto Superior de Estudos Religiosos (Iser), Clara Maíra.
Mesmo na Igreja Católica – o tronco de uma extensa árvore genealógica de credos cristãos – esta mudança é visível. Apesar de ter tomado conhecimento mais tarde dos movimentos carismáticos originados no protestantismo americano, o catolicismo de hoje exibe nomes como o do padre Marcelo Rossi, que lança mão de cantos e danças para chegar mais perto dos fiéis. Esta linha que adota a emoção veio crescendo no catolicismo em substituição à ênfase dada aos temas sociais nos anos 60 e 70, e está sendo estimulada pelo próprio João Paulo II.
Também na linha da emoção, crescem as seitas chamadas de neopentecostais, de moral menos rígida que os pentecostais tradicionais e com uma acentuação nos ritos de exorcismo e cura. É o caso da Igreja Universal do Reino de Deus.

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