A umbanda completa, este ano, seu centenário de criação. O precursor da religião no Brasil foi Zélio Fernandino de Moraes, de São Gonçalo (RJ), que, aos 17 anos, teria incorporado, pela primeira vez, o espírito de um preto velho. Depois de se curar, espontaneamente, de uma paralisia, foi levado por sua mãe, Leonor de Moraes, a uma curandeira chamada dona Cândida, figura conhecida na região onde morava e que incorporava o espírito de um preto velho chamado Tio Antônio. Este recebeu o rapaz e fazendo as suas rezas lhe disse que possuía o fenômeno da mediunidade e deveria trabalhar com a caridade.
Em 15 de novembro de 1908, Zélio foi levado por seu pai, Joaquim Fernandino Costa, a Federação Espírita de Niterói, quando no meio culto ele e outros médius presentes incorporaram espíritos de caboclos e pretos velhos. Nesse dia, Zélio de Moraes teria recebido a orientação do Caboclo das Sete Encruzilhadas para dar início a um culto em que pretos e índios pudessem dar sua mensagem - uma religião que falasse aos humildes, ''simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados''.
No dia seguinte, em sua casa, Zélio de Moraes voltou a incorporar o Caboclo das Sete Encruzilhadas e estabeleceu as regras da religião que se chamaria umbanda. As sete linhas que foram ditadas para a formação da umbanda são: ''Oxalá'', ''Iemanjá'', ''Ogum'', ''Iansã'', ''Xangô'', ''Oxossi'' e ''Exu''. O primeiro grupo fundado recebeu o nome de Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade. Dez anos depois, em 1918, outras sete tendas foram fundadas para a propagação da umbanda: Nossa Senhora da Guia; Nossa Senhora da Conceição; Santa Bárbara; São Pedro; Oxalá; São Jorge; e São Jerônimo. A partir dessas tendas, outras 10 mil teriam sido criadas.
Os rituais eram simples. Nunca foi permitido sacrifício de animais. Não utilizavam atabaques ou qualquer outros objetos e adereços. Os atabaques começaram a ser usados com o passar do tempo por algumas das tendas fundadas posteriormente, mas a Tenda Nossa Senhora da Piedade - mantida pelas filhas de Zélio, Zélia e Zilméia - não utiliza em seu ritual até hoje. A preparação dos médiuns era feita com banhos de ervas e com o ''ritual do amaci'' - lavagem de cabeça onde os filhos de umbanda afinizam a ligação com a vibração dos seus guias.
Mais tarde, junto com sua esposa Maria Isabel de Moraes, Zélio fundou a Cabana de Pai Antonio, no distrito de Boca do Mato, município de Cachoeira do Macacú (RJ). Zélio faleceu aos 84 anos, no dia 3 de outubro de 1975. (A.L.)
Serviço
- Informações extraídas da pesquisa feita por Lucília Guimarães e Eder Longas Garcia (www.paimaneco.org.br)

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