Religião e respeito pela natureza
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quinta-feira, 20 de setembro de 2007
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Por ser uma região alta da cidade, é no bairro Pilarzinho que está localizada a maioria das antenas das emissoras de rádio e TV de Curitiba. Essa condição poderia sugerir um trânsito intenso de informações nesse lugar, ou então que seus moradores fossem pessoas ''antenadas''.
Nada disso, a região consegue manter, mesmo nos dias de hoje, muito da tranquilidade que havia no tempo em que ali só existiam as chácaras dos imigrantes poloneses e alemães e a famosa Cruz do Pilarzinho. Essa última aliás, parece funcionar como um imã, atraindo para si as lembranças de muitos moradores do bairro. Circulando pelas suas proximidades, não é difícil encontrar alguém que tenha uma história pitoresca sobre ela.
''Dizem que a Cruz apareceu no século XIX'', arrisca Eliane Bonatto, proprietária de uma panificadora na região. Ela recorda a história de dois alcoolistas conhecidos da população que tinham uma relação peculiar com o monumento. O primeiro, quando bebia, ficava revoltado com Deus, jogava pedras na Cruz e caluniava a estátua de Cristo que havia ali. O segundo fazia o contrário, depois de tomar umas e outras, procurava o local para fazer suas orações. ''Ele saia do bar de madrugada e ia rezar'', conta Eliane.
Para o pedreiro João Manoel da Luz, a Cruz é o grande símbolo do Pilarzinho. ''Pena que hoje está abandonada'', lamenta o trabalhador ao comentar que há alguns anos a imagem de Cristo foi roubada dali. Logo depois apareceram algumas pichações. ''Antes não tinha vandalismo aqui'', afirma. Acostumado à tranquilidade da região onde mora desde 1967 - primeiro em frente à Ópera de Arame e depois em frente ao parque Tingui - ele reclama da falta de segurança e da loucura do trânsito de hoje, que já apresenta grande movimento nos horários de pico.
Outro que tem boas recordações do passado é o comerciante Edwino Polak, dono de uma loja de roupas bem em frente à Cruz, no cruzamento das ruas Hugo Simas e Raposo Tavares. Nascido no bairro, ele lembra do tempo em que não havia asfalto na região e tudo era feito com carroças. Na época, seu estabelecimento era um armazém que abastecia os viajantes que vinham de outros municípios até o Centro de Curitiba. Polak conta que naquele tempo a Cruz ficava bem no meio da Rua Hugo Simas. ''Quando alargaram a rua que ela foi mais pra lá'', aponta ele.
Apesar das boas lembranças, tanto Edwino quanto João Manoel são unânimes em afirmar que algumas coisas ficaram melhores com o tempo, como o comércio e a pavimentação das vias que levam ao centro da cidade. ''É pertinho, faço tudo de bicicleta'', diz Manoel.


