RELIGIÃO - Por dentro da Opus Dei
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de junho de 2008
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Seita secreta, grupo extremista católico, guardiões violentos dos mistérios cristãos. Muito se fala sobre a Opus Dei, embora pouco se saiba sobre seus fundamentos, seus fiéis e suas atividades. E o sucesso do livro e do filme O Código Da Vinci ajudou a aumentar ainda mais a aura de mistério em torno de seus participantes.
A ordem, pertencente à Igreja Católica, foi fundada pelo padre espanhol Josemaria Escrivá (1902-1975), em 1928. Durante um retiro em Madri, ele teria tido uma visão em que Deus lhe explicou o que desejava e como o trabalho deveria ser feito.
Foi por esse motivo que o padre, canonizado por João Paulo II em 2002, escolheu o nome do seu movimento: Opus Dei, do latim Obra de Deus. ''Josemaria viu que essa seria uma obra para os séculos. No início, era apenas para os homens. Dois anos depois, durante uma missa, outra visão mostrou que seria necessário realizar o mesmo com as mulheres'', conta Alcides Goya, diretor do Centro Cultural Guairá, que realiza o trabalho com os homens em Londrina.
Segundo ele, o objetivo principal do movimento é promover o crescimento humano por meio da chamada universal da santidade: viver a plenitude da vida cristã no trabalho, na vida familiar e nas relações sociais. ''Não adianta ir à igreja e não ser bom aluno, bom filho, bom pai ou bom amigo'', afirma Goya.
''Sempre fui católico, mas nunca muito praticante. Conheci a obra quando estava na faculdade e me fascinei. Minha vida é baseada no fato de saber que aquilo que faço no meu cotidiano é levado para Deus. Por isso tudo tem de ser o melhor que consigo. Meu trabalho não pode ser de qualquer jeito, minha relação com a família também não. Estou casado há 11 anos e eu e minha esposa nunca brigamos. Sou uma pessoa muito melhor hoje'', diz o jornalista Dérri Francis Borges Monteiro.
Para incentivar o crescimento, os centros culturais oferecem aos jovens que os frequentam estrutura para estudos e desenvolvimento de habilidades humanas. Em todos eles existem salas equipadas com bibliotecas.
''Muitos alunos do ensino médio e universitários vêm até os centros porque aqui eles encontram um lugar calmo para se dedicar à leitura. Em casa muitas vezes é difícil se concentrar por causa da TV, telefone, computador, geladeira. Como todos estão aqui para estudar, o clima de comprometimento também ajuda bastante. A maioria dos jovens estuda por conta própria, mas quando alguém precisa de ajuda, procuramos um professor voluntário ou outro aluno que possa auxiliar'', comenta Alcides.
O centro fica aberto, de segunda a sexta, das 14 às 22 horas, para toda a comunidade. No final das tardes existe um intervalo para café onde os frequentadores podem se conhecer, conversar e trocar informações. ''Além disso temos as palestras sobre virtudes humanas todas as quintas-feiras, dadas pelo padre, e aos sábados há o curso de doutrina cristã. Ninguém é obrigado a participar. Muitos vêm apenas para estudar, outros apenas para as palestras. A pessoa não precisa nem mesmo ser católica para ser bem-vinda'', garante.
Os serviços voluntários e projetos científicos são outro foco do trabalho da Opus Dei junto aos jovens. No Centro Cultural Guairá já foram desenvolvidos estudos em astronomia, eletrônica e confecção de foguetes, além de projetos de medicina social e alfabetização de adultos.
O estudante de engenharia elétrica Rodolfo Barreto Canônico, conheceu o Centro Guairá no primeiro ano da faculdade e afirma que encontrou lá um lugar para se ajudar e ajudar ao outro. ''Aqui aprendi o valor da responsabilidade e do estudo. Fui convidado por um amigo, que me falou das palestras e do trabalho voluntário. Venho no Centro pelo menos três vezes por semana para estudar e também sou voluntário na alfabetização de adultos aos sábados. Mesmo depois de formado, quero continuar participando porque é muito gostoso ajudar os outros'', diz.
Por que pouco se fala sobre o trabalho da Opus Dei e quase não se conhece seus numerários e super numerários (como são conhecidos os fiéis da obra)? Alcides tem uma resposta bastante simples: ''Trabalhamos para Deus, para que Ele cresça. Devemos trabalhar por 3 mil pessoas e fazer barulho por três'', ensina.
Quanto à forma que o filme e o livro de Dan Brown retrataram a Opus Dei, Alcides afirma que não entende de onde o autor tirou todas as suas idéias. ''Para os dias de hoje acho que somos radicais, sim, porque vivemos como verdadeiros cristãos. Seguimos muito aquilo que é pregado pelo Papa e defendemos a doutrina católica. Em 30 anos, nunca vi ou ouvi nada parecido com o que foi mostrado no filme. Somos pessoas completamente normais que queremos viver como Cristo ensinou.''
Serviço:
Centro Cultural Guairá: (43) 3323-9315
Centro Cultural Caravelas: (43) 3323-3843
Site: www.opusdei.org.br


