RELIGIÃO - Igreja Católica acaba com confissões comunitárias
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sábado, 05 de novembro de 2005
José Maria Mayrink<br> Agência Estado 
São Paulo - A confissão comunitária, celebração do sacramento da penitência na qual os católicos recebem a absolvição coletiva de seus pecados, vai ser definitivamente proibida em todas as paróquias. Em sua última assembléia-geral, reunida em agosto em Itaici, no município de Indaiatuba (SP), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) decidiu que a confissão tem de ser individual. Mais ainda: os padres terão de providenciar confessionários tradicionais com grades e em local visível para ouvir os penitentes.
A decisão da CNBB, que entrará em vigor após a aprovação do Vaticano, ao qual foi submetida, segue as orientações da carta apostólica Misericordia Dei (Pela misericórdia de Deus), publicada por João Paulo II em abril de 2002. No documento, o Papa determinou que a absolvição coletiva só pode ser dada em casos excepcionais, quando há iminente perigo de morte ou quando não há sacerdotes em número suficiente para atender os fiéis. A autorização para a celebração comunitária depende do bispo, a quem cabe julgar as situações de excepcionalidade.
''As normas aprovadas pela CNBB encampam a nota pastoral sobre celebração do sacramento da reconciliação publicada, em outubro, pela Província Eclesiástica de São Paulo (arquidiocese de São Paulo e oito dioceses vizinhas)'', informa dom Benedito Beni dos Santos, um dos bispos auxiliares do cardeal dom Cláudio Hummes. Com relação ao confessionário, as exigências são maiores: enquanto os bispos da região metropolitana de São Paulo recomendam apenas que a confissão seja feita em local visível, a CNBB determina que os confessionários voltem a ter grades, como antigamente.
Objeções A discussão do tema levantou objeções porque alguns bispos acharam que as normas baixadas por João Paulo II estavam sendo interpretadas muito ao pé da letra. ''Dá a impressão de que somos mais guardas da misericórdia do que distribuidores'', disse o bispo de Lins (SP), dom Irineu Danelon, depois de informar que sua diocese costuma celebrar a absolvição coletiva.
Dom Sérgio Braschi, de Ponta Grossa (PR), lamentou que a CNBB estivesse apenas repetindo as orientações da carta apostólica, em vez de estabelecer normas específicas, de acordo com as realidades pastorais, como recomendou João Paulo II no documento.
Mesmo que recebam a absolvição simultânea, que já garante o perdão dos pecados, os fiéis continuam com a obrigação de fazer a confissão individual ''dentro de um prazo razoável''. Os bispos da Província Eclesiástica de São Paulo lembram, em sua nota pastoral, que ''no caso da absolvição simultânea, a absolvição é apenas antecipada e a confissão é adiada para um momento possível''. Além de terem o propósito de confessar individualmente, em tempo oportuno, os pecados graves, os penitentes devem fazer o ato de contrição ou ''verdadeiro arrependimento dos pecados''.


