Todos são vilões e todos serão vítimas. O mais recente relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU, divulgado em Paris no dia 2 de fevereiro, não poupa ninguém no que se refere ao aquecimento global e à consequente mudança de clima que o planeta sofrerá.
Os mais de 500 cientistas envolvidos no estudo concluíram que há 90% de chance de o aquecimento global, observado nos últimos 50 anos, ter sido causado pela atividade humana. O documento anterior, de 2001, apontava probabilidade de 66%. O conteúdo do relatório serviu como alerta sobre o agravamento do problema ambiental e será usado como base para as negociações do ''pós-Kyoto'' - que começa em 2012, quando expira o tratado, e terá novas discussões sobre o compromisso dos países em reduzir suas emissões de gás carbônico.
O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) cobrou do Brasil uma questão sensível: o desmatamento da Amazônia. O País é o quarto colocado em emissões de carbono, atrás dos EUA, China e União Européia. E quem, entre nós, é o vilão? Do carbono que vai do solo brasileiro para a atmosfera, 30% tem origem na queima de combustíveis fósseis e 70% nas queimadas e desmatamentos.
''O Brasil não tem política de mudanças climáticas'', critica Marcelo Furtado, diretor do Greenpeace. ''O brasileiro sabe o que é aquecimento global, mas não sabe onde está acontecendo nem o que pode fazer. Isso está acontecendo no nosso quintal'', diz ele.
Pelo relatório do IPCC, as florestas tropicais são responsáveis por 15% das emissões de gases do efeito estufa. Parte do crescimento agrícola tem ocorrido em áreas como a Amazônia. A soja pode vir a ser, com a cana-de-açúcar, um dos principais produtos para a produção do biocombustível. Daí a preocupação em pôr um freio na expansão da fronteira agrícola e em investir nas tecnologias alternativas de combustíveis.
''É preciso condicionantes para expandir a produção do biocombustível'', compara Roberto Smeraldi, diretor da Amigos da Terra.

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