RELACIONAMENTOS - A felicidade nos pequenos detalhes
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de julho de 2008
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Em tempos em que o azarar, o ''ficar'', o ''ter rolo'' e demais definições que de concreto não trazem nada à vida dos envolvidos ganham corpo e substância, ainda há aqueles que sonham com uma relação sólida. Romeu e Julieta dos tempos modernos? Que nada! Muitos casais buscam, mesmo, a estabilidade afetiva.
A história de Juliana e Anderson Brandão, casados há dois anos, começou nos tempos de cursinho. Hoje aos 29 e 32 anos, respectivamente, os dois se preparavam para os vestibulares de marketing e administração de empresas quando se conheceram. Ele, o ''engraçadinho'' da turma, ela, a ''mais pacata''.
''Com a convivência, notei que, por trás daquele brincalhão, havia um homem maravilhoso e tão inseguro quanto eu. Ele foi minha alavanca para perder a timidez e eu seu freio de mão nas brincadeirinhas. Deu certo'', afirma Juliana.
Namorados durante a faculdade, Juliana e Anderson mantiveram a sintonia e a crítica afiada até nos preparativos para o casamento. ''Eu palpitei mesmo. As mulheres querem homens que as escutem. E os homens também buscam mulheres com essas características. Então, fui daqueles que foi junto escolher o buffet, música etc. Fizemos a poupança para casar e para o final do ano queremos fazer a encomenda à cegonha'', adianta Anderson.
Há receita?
Psicóloga paulista que viaja o País com palestras enfocando a temática amorosa e os relacionamentos, Patrícia Piazzon Queiroz já se acostumou à pergunta: por que as pessoas não conseguem manter a estabilidade em um relacionamento afetivo?
Como primeira razão, Patrícia acentua a mudança de comportamento da sociedade. Há algumas décadas, os relacionamentos seguiam padrões bem estabelecidos: o rapaz pedia a mão da moça em casamento para o pais, os namorados não podiam sair sozinhos etc. ''A partir das mudanças culturais ocorridas principalmente nas décadas de 1960 e 1970, com o slogan é proibido proibir, muitos padrões mudaram.''
Segundo a psicóloga, o movimento feminista também influenciou intensamente os novos padrões de comportamentos. ''Nos conceitos de 'direitos iguais', as mulheres passaram a trabalhar fora de casa e, nesse novo cenário, também sofreu mudança a educação dos filhos, envolvendo relações mais abertas de diálogo, menos regras e limites a serem seguidos e obedecidos.''
Mudanças econômicas e maior disponibilidade de bens de consumo também influenciaram nessa nova cultura. ''Os pais passaram a prover não apenas alimento e educação, mas a disponibilizar e realizar todos os desejos dos filhos.''
Os resultados? Os piores possíveis. ''Antes, os bens de consumo eram duráveis, contrastando com o modelo atual dos descartáveis. Com tudo na mão, o rotineiro perde o significado e há a constante necessidade do novo.''
Na lógica que prega que crianças e jovens podem dominar o mundo e que tudo é possível e tem um preço, Patrícia levanta algumas questões. ''Se eu aprendendo a receber e ter tudo do meu jeito, como vou aprender a dar, dividir, me preocupar com o outro? Como enfrento sofrimento, cansaço, tristeza se sempre me pouparam de frustrações, se tive tudo na mão? Como vou aprender a ceder, ficar sensível ao meu parceiro ou dar ao outro se sempre recebi? Como vou me manter na rotina se sempre há novidades?''
Para a psicóloga, o casal que quer construir uma relação saudável deve, inevitavelmente, conhecer a história de vida do outro, os objetivos em comum, valores similares. É essencial dar e ceder sem que seja um problema.
Futuro promete
Mas parece que ainda pode-se ter esperança na nova geração. Ingrid Pereira e Danilo Henrique Dias, ambos com 16 anos, deram o pontapé inicial no romance ao acaso. Ingrid, que era muito amiga da ex do atual, servia de cupido a cada briga dos pombinhos. ''Eles brigavam muito e eu os fazia voltar. Virei a melhor amiga do Danilo, de falar muito com ele, passar horas ao telefone. Até que, após o término do namoro, ficamos cada vez mais próximos e acabamos 'ficando'.''
Das ficadas ao relacionamento, Ingrid e Danilo enfrentaram muitas torcidas de nariz. ''Nosso começo foi complicado. Alguns não aceitavam e chegavam a nos evitar. Era muita fofoca e estivemos sempre um ao lado do outro'', conta Ingrid.
De fato. Hoje é impossível não notar a felicidade no rosto do casal, há um ano junto. ''Somos românticos, mas nada muito à moda antiga. Ele me manda flores, cartinhas e vice-versa. Tentamos fugir das regras de antigamente e somos razoáveis um com o outro para o namoro não ficar chato'', pondera Ingrid.
As estratégias funcionam, segundo Danilo. ''Nos vemos todos os dias de manhã na escola e nos falamos quase todas as noites antes de dormir. Quando chega o final de semana, é grude total. Nunca brigamos neste tempo todo.''
E eles têm a receita para que o relacionamento seja duradouro e harmônico. ''Respeito é muito importante e compreensão também. Quando um compreende a necessidade do outro, chega-se a um acordo. E é assim que funciona com a gente'', afirma Danilo.


