O reitor da UEL, Jackson Proença Testa, cita Churchill ao fazer uma análise do que pode vir a ser a universidade no próximo milênio. ‘‘Este século ficou conhecido como o século do belicismo, mas o que se avizinha será o século da inteligência e do conhecimento’’. De acordo com Testa, a universidade tem uma responsabilidade muito grande ao se inserir na comunidade, e a filosofia da UEL é justamente ‘‘construindo a parceria’’ com empresas, organizações não governamentais e a sociedade de um modo geral, ‘‘para que possamos contribuir para avanços tecnológicos, com uma sociedade mais justa, mas sempre com respeitando princípios éticos’’.
A UEL foi criada em 1970, mas se transformou numa universidade de fato e de direito no dia 7 de outubro de 1971, data de seu reconhecimento pelo MEC. Nesta época, já funcionavam na UEL 14 cursos. Hoje, Ela atende 12 mil alunos - sendo 10 mil na graduação e 2 mil na pós-graduação - deste total, cerca de 3 mil alunos vieram de outras cidades brasileiras. Com 5 mil funcionários, e uma folha de pagamento de R$ 8 milhões, Testa avalia que a UEL deva movimentar R$ 12 milhões por mês na economia da cidade.
Dentre os trabalhos desenvolvidos pela UEL com a comunidade, o reitor destaca o que é feito pelo Hospital Universitário de Londrina que atende 150 mil pessoas/ano. A Universidade está também presente na construção da cidadania, ao permitir acesso dos londrinenses à Justiça, no Escritório de Aplicação Jurídica. A Universidade Estadual de Londrina mantém 168 projetos de extensão, envolvendo 500 professores e 1500 alunos.
PerobalO campus onde funciona a UEL foi sede de uma antiga fazenda de café - conhecida por ‘‘Perobal’’. Consta que, em novembro de 1969, o terreno nem havia sido desapropriado e pago, mas o bispo D. Geraldo Fernandes o tinha ‘‘benzido’’. Em janeiro de 1970, o governo do Estado desapropriou a antiga Fazenda Perobal. Trinta alqueires foram comprados e outros 17 doados para a instituição. O médico Ascêncio Garcia Lopes foi o primeiro reitor da Universidade.
O atual reitor da UEL constata que a inserção da UEL na vida dos londrinenses se fez sentir desde o momento de sua fundação. A cidade, que tinha um perfil totalmente agropecuário, com ênfase no cultivo do café, até o final da década de 60, passa a ter uma nova feição nos anos 70 aprimorando o setor de prestação de serviços, à medida que novos médicos, advogados e engenheiros eram formados. ‘‘Devido a isso, hoje um dos maiores pólos de medicina do país está no Paranᒒ, afirma Testa.
Democracia A UEL também funcionou como um importante núcleo de resistência ao regime militar, implantado no País em abril de 1964. Alunos presos, DCE fechado, greve geral de professores e funcionários, criação de associações, fizeram parte da vida dos milhares de estudantes formados pela Universidade Estadual de Londrina durante os chamados anos de chumbo. Mas a luta dos professores funcionários e estudantes da UEL não é uma coisa que ficou presa no tempo e esquecida. No último 1º de dezembro, todos voltaram às ruas para protestar contra a ameaça de cortes propostos pelo governo estadual. Segundo os dirigentes do movimento, o governo pretende reduzir 84% da verba de manutenção e 10% da folha de pagamento das universidades estaduais. (J.F.S)

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