Regras bem menos rígidas
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quarta-feira, 04 de julho de 2007
Flora Guedes<br>Equipe da Folha 
Mesmo que se tenha uma super babá, em casa, não existe pessoa de mais confiança do que a vovó para as mães deixarem seus filhos. Somente sob os cuidados delas, os pais conseguem ficar com a consciência um pouco mais tranqüila ao fazer a dura escolha de enfrentar uma longa jornada de trabalho em detrimento de ficar com seus pimpolhos. Nada melhor que as crianças fiquem com as vovós, que são da família e naturalmente nutrem grande carinho pelos netinhos.
Até o ditado popular diz que amor de avó estraga os netos, justamente porque elas permitem tudo ou quase tudo aos pequenos e para quem dificilmente dizem não. Procuro sempre seguir as ordens deixadas pela mãe, para que fique bem claro para a Bia de quem é a autoridade. Na casa da avó também há regras, só que menos rígidas, disse a enfermeira Catarina Corrêia, de 62 anos, se referindo a Beatriz, de 4, sua única neta. A garotinha encantadora, vai passar boa parte das férias com a avó, que brinca dizendo que vai ficar de plantão, já que a mãe e o pai dela trabalham
o dia inteiro.
A mãe da menina, a nutricionista Mariana Moreira da Silva, de 34 anos, reforça que precisa que a avó fique com a filha, já que trabalha o dia inteiro. Ela fica meio período na escola e no outro fica com minha mãe. Já até contratei uma babá para ficar com ela, só que a Bia não se acostumou porque desde pequena fica com minha mãe, explica Mariana, que está grávida de oito meses. Agora nas férias a Bia vai ficar direto na casa da minha mãe, até porque é muito mais espaçoso e fica perto do parque.
A casa da vovó sofreu modificações para receber a pequena: mesinha e cadeirinhas na sala, kit de desenho e pintura, massa de modelar, brinquedos. Tudo muito bem organizado. A professora elogiou a Bia, dizendo que ela tem muita criatividade ao desenvolver as atividades. Isso é porque eu a incentivo bastante a brincar com diferentes materiais, a fazer fantasias, criar personagens, desenhar, modelar. Ainda brincamos com os sons, música, dança. Ela me ajuda até a fazer bolo, conta a zelosa vovó, que também é musicoterapeuta.
Enquanto isso, a menina se vestia com uma fantasia de princesa. Eu gosto de brincar com os cachorros e andar de bicicleta também, conta Beatriz. Cuido dela desde que nasceu porque tivemos dificuldade para encontrar uma babá. Incentivo a minha filha a investir na carreira, mas nunca a colocar o trabalho na frente da filha. Peço que busque um equilíbrio porque eu sou apenas uma coadjuvante, um coringa. Não se pode terceirizar a educação dos filhos para a avó, para a babá ou para a escola, alerta Catarina, lembrando que abandonou a carreira para cuidar dos quatro filhos.
Hoje os avós são muito mais ativos. Eu trabalho como voluntária e ajudo meu marido no consultório. Mas sempre que precisar, fico com a Bia, levo e vou buscar na escola. Acho que a gente não tem que assumir tanto, ficar dando palpites. Avó deve ser só uma colaboradora, define a vovó. Às vezes acontecem situações muito engraçadas. Veja, que aqui no condomínio as babás saem com as outras crianças para brincar e eu vou junto com a Bia. Acabou que me enturmei com todas as babás daqui. Sei, inclusive, todas as fofocas delas, é muito engraçado, revela a simpática Catarina.


