Região tem de correr atrás dos grandes projetos
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quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
Sem mobilização da sociedade e do Poder Público, a região Norte do Paraná não vai evoluir no campo da infraestrutura e logística e perderá ainda mais competitividade. O alerta é do professor Paulo Tarso Vilela de Resende, coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral. Ele será o palestrante do segundo EncontrosFolha.
"A região deveria buscar se inserir nos grandes projetos que estão sendo planejados e realizados no País e não esperar que haja uma oferta", afirma. O risco, na opinião do especialista, é haver um empobrecimento do Norte do Paraná, nos moldes do ocorrido no Sul do Rio Grande do Sul. "Aquela região gaúcha sofreu com a migração dos produtores rurais em direção ao Centro-Oeste. E, por falta de uma solução logística, as cadeias produtivas de lá não se renovaram", declara.
Além de lutar por novos projetos, Paulo Rezende acredita que a região deveria melhorar a infraestrutura já existente. Um exemplo seria fazer com que a concessionária ALL aumente sua capacidade de transporte por trem. Mesmo a empresa tendo exclusividade no trecho, ele afirma que é possível negociar. "Se há garantia de carga, a concessionária tem de ofertar o serviço. Ela precisa conversar com as diversas regiões para apresentar soluções", alega.
Para o professor, é preciso fazer com que a ferrovia transporte mais e melhor. "Na região de Londrina, poderia carregar, além dos grãos, produtos de mais valor agregado como os da agroindústria", alega.
Resende defende uma matriz de transporte mais equilibrada. E avalia que nem é preciso elevar a participação da ferrovia no transporte de carga de 30% para 43% até 2031, como prevê o governo federal. "Se chegarmos a 38% (de participação do trem) já está muito bom", ressalta. Ele defende a multimodalidade, destacando que a ferrovia não deve ficar competindo com a rodovia. "São modais complementares que precisam se associar às cadeias produtivas locais para o desenvolvimento das regiões", declara.
Segundo Resende, a ineficácia da infraestrutura brasileira é um dos principais fatores que colocam o País no 57º lugar no ranking da competitividade, produzido pelo Fórum Econômico Mundial. "Entre as 20 principais economias mundiais, o Brasil é o último colocado nesse campo. O custo logístico em relação ao PIB aqui é cinco pontos porcentuais mais alto do que nos Estados Unidos", aponta. Nos Estados Unidos, esse custo é de 5% e, no Brasil, de 13% do PIB. "Essa diferença nos deixa um prejuízo anual entre R$ 300 bilhões e R$ 400 bilhões por ano", declara.
O professor lembra que o País deixou de investir em infraestrutura por 30 anos. E que vive agora um momento decisivo, com o aumento da demanda por transporte. "Se não tivermos uma resposta rápida de investimentos, perderemos ainda mais competitividade."




