Sem mobilização da sociedade e do Poder Público, a região Norte do Paraná não vai evoluir no campo da infraestrutura e logística e perderá ainda mais competitividade. O alerta é do professor Paulo Tarso Vilela de Resende, coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral. Ele será o palestrante do segundo EncontrosFolha.
"A região deveria buscar se inserir nos grandes projetos que estão sendo planejados e realizados no País e não esperar que haja uma oferta", afirma. O risco, na opinião do especialista, é haver um empobrecimento do Norte do Paraná, nos moldes do ocorrido no Sul do Rio Grande do Sul. "Aquela região gaúcha sofreu com a migração dos produtores rurais em direção ao Centro-Oeste. E, por falta de uma solução logística, as cadeias produtivas de lá não se renovaram", declara.
Além de lutar por novos projetos, Paulo Rezende acredita que a região deveria melhorar a infraestrutura já existente. Um exemplo seria fazer com que a concessionária ALL aumente sua capacidade de transporte por trem. Mesmo a empresa tendo exclusividade no trecho, ele afirma que é possível negociar. "Se há garantia de carga, a concessionária tem de ofertar o serviço. Ela precisa conversar com as diversas regiões para apresentar soluções", alega.
Para o professor, é preciso fazer com que a ferrovia transporte mais e melhor. "Na região de Londrina, poderia carregar, além dos grãos, produtos de mais valor agregado como os da agroindústria", alega.
Resende defende uma matriz de transporte mais equilibrada. E avalia que nem é preciso elevar a participação da ferrovia no transporte de carga de 30% para 43% até 2031, como prevê o governo federal. "Se chegarmos a 38% (de participação do trem) já está muito bom", ressalta. Ele defende a multimodalidade, destacando que a ferrovia não deve ficar competindo com a rodovia. "São modais complementares que precisam se associar às cadeias produtivas locais para o desenvolvimento das regiões", declara.
Segundo Resende, a ineficácia da infraestrutura brasileira é um dos principais fatores que colocam o País no 57º lugar no ranking da competitividade, produzido pelo Fórum Econômico Mundial. "Entre as 20 principais economias mundiais, o Brasil é o último colocado nesse campo. O custo logístico em relação ao PIB aqui é cinco pontos porcentuais mais alto do que nos Estados Unidos", aponta. Nos Estados Unidos, esse custo é de 5% e, no Brasil, de 13% do PIB. "Essa diferença nos deixa um prejuízo anual entre R$ 300 bilhões e R$ 400 bilhões por ano", declara.
O professor lembra que o País deixou de investir em infraestrutura por 30 anos. E que vive agora um momento decisivo, com o aumento da demanda por transporte. "Se não tivermos uma resposta rápida de investimentos, perderemos ainda mais competitividade."

Imagem ilustrativa da imagem ‘Região tem de correr atrás dos grandes projetos’
Para Paulo Rezende, além de lutar por novos projetos, região deveria melhorar a infraestrutura já existente
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