O nível de emprego da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) cresceu 0,86% nos dois primeiros meses deste ano em relação ao ano passado, com a geração de 6.448 postos de trabalho, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O que equivale a 28,25% dos empregos gerados no Estado. Como vem ocorrendo desde julho de 2005, a RMC apresentou, no acumulado dos últimos 12 meses, um crescimento do nível de emprego maior que o do interior do Estado, 5,73% e 4,33% respectivamente. A estimativa para este ano é que a tendência de crescimento dos empregos formais na RMC se mantenha. Embora sejam os setores de serviço e comércio os que mais empregam, é na indústria que o saldo de empregos formais tem apresentado uma aceleração mais representativa.
No ano passado, a indústria de transformação foi responsável por 169.017 empregos na RMC, segundo o Ministério do Trabalho. Nos meses de janeiro e fevereiro, de 2006 para 2007, o Dieese aponta um aumento de 114,32% do saldo de empregos formais da indústria de transformação na RMC. Já ao longo dos 12 meses entre março de 2006 e fevereiro de 2007, o setor contabilizou um saldo positivo de 8.803 empregos formais, entre 68.523 trabalhadores admitidos e 59.720 desligados. O que representa uma variação de 56,66% em relação ao período anterior. No setor de serviços, a variação foi de 23,3%. Já o comércio apresentou variação negativa (-0,54%). No Estado, o índice da indústria de transformação ficou em 50,99% e no interior em 48,31%.
Para o coordenador do Programa Paraná Automotivo, do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado do Paraná (Sindimetal), Elcio Rimi, o índice pode ser relacionado ao aumento expressivo da produção de veículos e, por conta disso, da produção de auto-peças. ''A queda das taxas de juros atraiu mais consumidores, os finaciamentos estão mais atraentes, e isso faz com que o mercado se aqueça rapidamente. Em 1997 a produção chegou ao pico. Até 2005 a indústria automotiva vinha crescendo menos. Com a queda das taxas de juros do segundo semestre de 2006 pra cá, esses volumes foram sendo retomados gradativamente'', avalia o coordenador.
Segundo Rimi, além do impulso nas vendas, novos investimentos estão sendo realizados para aumentar a produção. ''Como a indústria automotiva contrata muito quando há novos investimentos e mercado aquecido, pode-se creditar essa diferença nos índices a isso'', afirma. Após a fase de avanço nos anos 90, agora a indústria automotiva instalada na Região Metropolitana passa pela fase de estabilização, explica Rimi. ''É normal hoje que não haja necessidade de tantos incentivos e investimentos como já houve. Agora passam a ser feitos os investimentos normais'', explica.
De acordo com o economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, o aumento da produção das montadoras nos últimos anos tem impactado toda a demanda do setor metalmecânico na RMC. ''O setor automotivo vem aumentando suas vendas devido ao crédito em abundância. Quando aumenta a venda de automóveis aumenta a demanda em todo o setor industrial'', afirma.
Zurcher ressalta que a indústria emprega cada vez menos pessoas por causa da automatização mas influencia diretamente o aumento do número de contratações nos demais setores. ''O que mais cresce são os serviços, há uma maior demanda por concessionárias, oficinas. Indiretamente, a indústria quando cresce gera empregos no setor terciário'', observa.
O estudo ''Estimativas do modelo de geração de empregos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)'', de 2004, aponta que a cada 10 milhões de reais de aumento de produção na indústria de automóveis, caminhões e ônibus, por exemplo, são gerados 16 empregos diretos, 108 indiretos e 203 por efeito renda, isto é, quando passam a receber os salários os trabalhadores provocam demanda de produtos de todos os setores, inclusive na própria indústria.

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