Curitiba possui 77 milhões de metros quadrados de área com fragmentos de florestas com araucária. Cerca de 90% desse total correspondem a parques e bosques particulares. São propriedades com mata nativa e cortadas por riachos, rios, quedas d'água.
Os bosques protegidos guardam agradáveis companhias de animais silvestres que, vez por outra, fazem visitas surpresas nas ®MDBO¯®MDNM¯residências. No último levantamento feito pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA), mais de 400 espécies de aves foram catalogadas na Capital, sem falar do restante da diversidade da fauna e da flora.
É difícil de acreditar que a casa do arquiteto Osvaldo Navarro, de 63 anos, está localizada a dois quilômetros da Praça Tiradentes. A residência fica dentro de uma propriedade de 6 mil metros quadrados, no Pilarzinho, onde ele vive há 28 anos. Barulho lá, só dos bichos. ''Tenho de área construída apenas 400 metros quadrados, o que sobra é tudo bosque e fundos de vale. Ainda ganho benefícios construtivos e redução do IPTU por preservar'', destaca ele, que também traçou o projeto de sua casa, onde foram aplicados os princípios da arquitetura orgânica.
A integração da casa com o meio ambiente é tão intensa que a sensação dentro e fora dela, sem exageros, é quase a mesma. A residência redonda e setorizada tem muitas janelas e um jardim interno de grandes proporções, no centro, cuja função é captar luz e calor para todos os espaços da casa. Foram utilizados na construção ainda troncos de eucalipto, principalmente nas varandas, onde musgos se desenvolveram, criando um visual semelhante ao das árvores ao redor.
''Viver com a natureza é muito prazeroso, é praticar, de fato, a tal da consciência ecológica da qual tanto falam. Nasce uma flor, eu registro na câmera. Os bichos a gente também observa o comportamento. De manhã, é uma cantoria dos pássaros, já à noite é a vez dos vagalumes, das corujas e dos morcegos'', relata Osvaldo Navarro. Agora, o arquiteto volta suas atenções para o quintal da casa, um generoso bosque com riacho e olhos d'água.
Se dedica à conclusão de uma trilha e descobertas da riqueza das espécies vegetais e no reconhecimento do cantos dos pássaros. ''Voltei às minhas origens. Nasci no mato e quando vim morar em Curitiba, senti o impacto da cidade. Sempre fui ligado na natureza'', conta ele que optou por pouca decoração na casa, boa parte são fotografias de flores e paisagens marítimas, já que adora velejar. ''O homem gosta de destruir a natureza. Mas é preciso respeitar o meio ambiente para encontrar a harmonia e viver cada detalhe dela'', filosofa Navarro.
O coordenador técnico de fauna e flora da SMMA, Alfredo Trindade, aponta as regiões norte (Santa Felicidade, Taboão, Pilarzinho, São Braz e Butiatuvinha) e sul (Caximba, Campo de Santana e Umbará) da cidade como as que concentram a maior parte das propriedades particulares com bosques. ''A população assimilou o conceito da preservação das áreas verdes como regra e busca tê-las em seus imóveis. A construção civil procura imóveis com bosques para a implantação de condomínios e prédios face aos benefícios construtivos oriundos da conservação da vegetação e porque o público comprador valoriza esta situação àquela de desolação'', informa Trindade.

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