Refrescante e contaminada
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de agosto de 2007
André Amorim<br>Equipe da Folha 
De acordo com dados do Centro de Saúde Ambiental da Secretaria Municipal da Saúde, órgão responsável pelo monitoramento da qualidade da água dos poços públicos de Curitiba, em 2005 existiam 43 fontes e bicas na cidade, das quais 38 apresentavam condições impróprias para o consumo. Hoje, o número total de fontes aumentou para 50, mas o índice de contaminação subiu ainda mais, apenas 4 delas têm água com nível de potabilidade adequado de acordo com o Ministério da Saúde.
Segundo a coordenadora de vigilância em saúde ambiental da prefeitura de Curitiba, Lúcia Isabel de Araújo, em 46 locais analisados foram encontrados coliformes fecais, que indicam que o líquido teve contato com fezes. Mesmo assim é comum encontrarmos pessoas levando para casa a água desses lugares. Um deles é o autônomo Gilberto Alvez, que pelo menos uma vez por semana vai à bica do Bosque Gutierrez, no bairro Mercês, encher o galão de 20 litros que abstece sua família.
Faço comida, suco e nunca deu problema, diz ele. Ao lado da torneira onde Gilberto se refresca, uma placa da prefeitura de Curitiba alerta para as más condições da água ali encontrada e instrui os visitantes a ferver ou adicionar algumas gotas de água sanitária antes de consumi-la, mas nem todos seguem à risca as recomendações. Nunca precisei ferver nem limpar, admite Gilberto.
Lúcia adverte que diversas doenças podem ser contraídas ao consumir água contaminada, entre elas a cólera, hepatite A, febre tifóide, parasitoses (vermes) e até protozoários. Preocupa-me que muitas pessoas dão essas água para bebês, que têm o sistema imunológico mais
frágil, observa.
No entanto, a coordenadora admite que o gosto agradável - sem cloro - da água dessas fontes e o fato das pessoas não enxergarem a olho nu os organismos microbiológicos causadores das doenças causam uma falsa impressão de qualidade. O que as pessoas não vêem elas não acreditam, aponta.
É o caso de Darcy de Jesus Farias, que há quatro anos freqüenta a bica do Bosque Gutierrez. Não acredito nisso, essa água é boa, afirma. Tem gente que até sarou de problema do estômago depois de beber
dessa água.
De acordo com Lúcia, os lençóis freáticos que abstecem as bicas e nascentes que afloram em Curitiba são altamente poluídos. Como na maioria das grandes cidades, a chuva carrega para o interior da terra lixo, fezes e urina que acabam por contaminar esses recursos.
FIQUE ALERTA
Recomendações
Quem pretende consumir a água das fontes e bicas da cidade deve tomar alguns cuidados. O recomendado é que a água seja fervida por mais de cinco minutos, contados a partir da ebulição. Outra opção é colocar duas gotas de água sanitária (a 2,5%) para cada litro de água e deixar por 30 minutos. Depois, a água pode ser usada normalmente.
Boa para beber
Das 50 fontes existentes em Curitiba, apenas quatro têm água própria para o consumo humano. Saiba onde elas estão:
- 2 no Parque Atuba
- 1 no Parque Bacacheri
- 1 na Rua Maria Clara de Jesus, 715 (Bairro Novo)
Fonte: Prefetura de Curitiba


