Uma boa divisão dos lotes de terra nos primórdios é o segredo do sucesso do desenvolvimento de Londrina. A opinião é de quem entende do assunto: Hugh Muir Thomas, filho do fundador da cidade e primeiro diretor-geral da Companhia de Terras Norte do Paraná, Arthur Hugh Miller Thomas. A empresa estrangeira que, em 1924, foi contratada pelo Estado para promover um plano de desenvolvimento da área.
  ‘‘O trabalho consistia em desenvolver a região, decidir onde seriam as cidades, planejar as cidades. As áreas de terra tinham tamanho máximo de dez
a 20 alqueires. Nos lotes, eram colocados os colonizadores’’, conta Hugh Thomas. A qualidade da terra vermelha e a propaganda em todo o País sobre as oportunidades do lugar atraíram para Londrina centenas de imigrantes e migrantes, que hoje formam o diverso cenário cultural local. Mineiros, nordestinos, alemães, japoneses, italianos, poloneses vieram para cá no intuito de trabalhar e crescer. Como as datas eram pequenas, muitos tiveram oportunidade.
  De acordo com o filho do pioneiro Arthur Thomas, o surgimento de Londrina começou a ser gestado na capital inglesa, o que explica o nome sugerido por um advogado da famosa companhia. Em 1924, após convite do Governo Brasileiro, um grupo de financistas ingleses visitou o País para estudar a possibilidade de investimentos no interior. Fazia parte da chamada Missão Montagu o empresário londrino Lord Lovat, com quem Arthur Thomas trabalhava na administração de fazendas de algodão no Sudão, na África.
  Lovat encantou-se com a Região Norte do Paraná, para onde idealizou um plano de desenvolvimento, rapidamente aprovado
pela matriz na Inglaterra. O convite a Arthur
Thomas para tocar o projeto foi prontamente aceito. O resultado foi a criação Brazil Plantantion Syndicate, empresa que deu origem à Companhia de Terras Norte do Paraná. Os primeiros anúncios para atrair colonizadores ressaltavam a qualidade da terra, que ‘‘não tem saúva’’, rememora Hugh Thomas. A procura foi grande e o desenvolvimento de Londrina relativamente rápido.
  Para Hugh Thomas, a compra de trecho da estrada de ferro pela companhia e construção da ligação entre Ourinhos e Londrina também foi essencial para o crescimento da cidade. ‘‘Facilitou a vinda de imigrantes e migrantes e o escoamento da produção agrícola’’, ressalta. Antes, no entanto, o transporte para a região dependia exclusivamente das jardineiras, carros e jipes ou do lombo dos animais.
  Entre as dezenas de histórias sobre o desenvolvimento de Londrina, Hugh Thomas lembra de um golpe aplicado contra os colonos japoneses. Após o fim da Segunda Guerra, em 1945, a imprensa internacional publicou uma célebre fotografia de oficiais nipônicos rendendo-se aos Aliados. Com o retrato em mãos, corretores invertiam a história e afirmavam que o Japão havia vencido a batalha. E mais, o imperador havia mandado um navio para buscar todos os imigrantes ao redor do mundo.
  Pouco depois, outros corretores ofereciam
uma quantia baixa e compravam as terras dos japoneses, que ficavam a ver navios. ‘‘Era uma malandragem tremenda. Meu pai chamou um corretor japonês e percorreu as propriedades
da região para avisar os colonos sobre o
golpe’’, rememora.
  O desenvolvimento sempre esteve ligado ao poder da Companhia de Terras. A decadência da empresa, na análise de Hugh Thomas, foi conseqüência da troca de comando desbravadora do Norte do Paraná. Com a compra por um grupo de brasileiros, o nome foi trocado para Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, passou a investir mais em outros setores como agropecuária e negociar lotes de maior porte, diferente da característica histórica de valorizar as pequenas propriedades. Política que, na visão de Thomas, foi uma das principais alavancas para o crescimento de Londrina.

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