Refazer planos
para o futuro,
se for preciso
E o futuro? M.G. afirma que nem é questão de poder se dar ao luxo de prever, planejar, traçar metas. Ela diz que se sente no direito, como uma cidadã, de querer o melhor para si e sua família, mesmo que no futuro os planos tenham que ser refeitos. Segundo M.G. – que para se deslocar de casa ao trabalho dispõe de um carro praticamente novo, privilégio conquistado graças ao apoio do marido – refazer metas, adiar decisões de gastos com necessidades que um padrão de vida moderno exigem não traz dor de cabeça.
O que aflige a profissional, segundo revela, é a contradição de viver uma rotina que se de um lado é estressante devido a correria entre o trabalho e os cursos de especialização, de outro é fatal por colocar diante de sí uma realidade com poucas perspectivas. ‘‘A minha clientela não é formada por consumidores que querem conhecer os planos a prazo para a compra de um novo aparelho de TV, um novo carro ou um pacote de turismo. A minha clientela é formada por pessoas que recorrem às instituições públicas ou privadas porque não têm mais a quem pedir socorro’’, diz.
Para o ano 2000, o grande plano de M.G. é buscar um mestrado e conseguir um emprego com melhor remuneração. Ela pretende continuar trabalhando na área em que atua hoje, onde A.L., num sopro de voz, confessa que se vier a ajuda que está esperando de um irmão, poderá voltar para o campo e trabalhar com a família na agricultura. Ela assegura que tem algum conhecimento com lavouras. O marido, que cresceu na cidade, terá que aprender a lidar com a terra e trabalhar com pequenas criações.
Mas ambas, M.G. e A.L., frente a frente na escrivaninha de uma sala de atendimento, acham que Londrina tem muito que oferecer a partir do ano 2000 para seus habitantes, principalmente no campo profissional. Arestas políticas precisam ser aparadas e polidas, afirma M.G., para que a população possa acreditar num futuro melhor e mais justo para famílias como a da própria M.G. e de A.L. sua cliente. (W.O.)

mockup