São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 61, foi reeleito com 60,81% dos votos válidos, segundo apuração parcial divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral às 22h27 de ontem. Com 99,86% das urnas apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula contabilizava 58.207.884 de votos. Lula venceu no segundo turno o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), 54, que somava 39,19% dos votos (37.510.875). A vitória do petista confirma as pesquisas de intenção de voto.
Ex-torneiro mecânico e primeiro líder de um partido de esquerda eleito presidente, Lula conseguiu igualar a façanha de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Em 1998, o tucano chegou ao segundo mandato consecutivo - foi o primeiro presidente a se beneficiar da reeleição no Brasil. Houve uma diferença, porém. Ao contrário de Lula, FHC conseguiu a reeleição já primeiro turno, com 53,06% dos votos válidos - escolhido por quase 36 milhões de eleitores.
Nestas eleições, além dos adversários, Lula teve que enfrentar uma verdadeira avalanche de crises políticas e de escândalos envolvendo o Congresso Nacional, membros de seu governo e dirigentes de seu partido, o PT. A mais recente crise estourou durante a campanha eleitoral e causou revolta na oposição: a tentativa de compra de um dossiê antitucano.
O episódio continua sendo investigado pela Polícia Federal e pela Justiça. Existe no TSE, inclusive, um processo de impugnação da candidatura do petista, que pode acontecer mesmo após a votação, caso as investigações comprovem crime eleitoral.
A aprovação e a popularidade de Lula, entretanto, não estavam ligadas ao sistema político, como mostrou a eleição. A atuação do governo petista na área social foi fundamental para a reeleição. Assim, o discurso da continuidade de um ''governo para os mais necessitados'' foi a grande bandeira da campanha. Programas como o Bolsa-Família, o Prouni e o Luz para Todos foram exaustivamente aclamados no palanque petista.
Em seu primeiro pronunciamento como presidente reeleito, Lula voltou a afirmar ontem à noite que irá procurar todas as forças políticas do país e que espera contar com a ''compreensão dos partidos de oposição''. Acompanhado de ministros e da primeira-dama, Marisa Letícia, Lula disse também que seu futuro governo dará ''preferência'' aos pobres. ''Agora não tem mais adversário. Agora, o adversário são as injustiças sociais'', afirmou. Vestindo uma camiseta branca com a frase ''A vitória é do Brasil'', o presidente discursou em um hotel de São Paulo.
''Até dezembro pretendo conversar com todas as forças políticas do país. (...) Não haverá veto a ninguém. Chamarei todo mundo para conversar'', disse. Antes, tentando deixar para trás o clima de acirramento político que dominou a campanha, afirmou: ''Não tenho dúvida nenhuma de que poderemos contar com a compreensão dos partidos da oposição''.
O aceno à oposição já tinha sido o tom do discurso do petista após votar, no ABC. Mais uma vez, usou seu método favorito de raciocínio, a metáfora futebolística. ''Disputa política sem acirramento não tem sentido. Normalmente, as pessoas parecem que estão numa disputa muito renhida. Mas, terminadas as eleições, terminou. É como terminar um campeonato de futebol. Começa um outro no dia seguinte.''
Lula reiterou que o crescimento da economia, a distribuição de renda e a educação serão prioridades no seu próximo mandato. ''Não tenho dúvida de que o Brasil viverá outro momento, um momento de crescimento econômico, distribuição de renda, um momento em que nós todos, governo e oposição, vamos ter que privilegiar a educação como pilar principal para que o Brasil dê o salto de qualidade que precisa no mundo político, econômico e dos negócios.''

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