Reduzir dependência pelo trigo
As pesquisas também avançam para reduzir a dependência brasileira pelo trigo. Embora o grão seja um dos principais alimentos da população, o País tem que importar mais de 60% do trigo consumido. Cenário constante de incertezas de abastecimento e sujeito à volatilidade dos preços, o pesquisador Carlos Riede, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), explica que o Brasil tem condições ambientais favoráveis para o aumento da área de cultivo, principalmente, na Região Sul onde há áreas ociosas durante o inverno.
O trigo é uma alternativa interessante para o inverno e foi introduzido como uma opção à retirada do café no Norte do Paraná, explica Manoel Bassoi, pesquisador de trigo da Embrapa Soja. As pesquisas desenvolvem variedades com adaptação climática, seguindo cada característica regional. Os experimentos do Iapar são coordenados pela equipe de Londrina e aqui são testados materiais propícios às regiões mais quentes, capazes de suportar o estresse climático.
Também são enviadas amostras para outras regiões, onde é feita seleção no campo. Já a Embrapa Soja recebe amostras para experimento no campo e também desenvolve as suas variedades. Cada variedade lançada deve ser melhor do que as que estão em cultivo, com produtividade entre 4% e 5% maior e resistentes a doenças para não aumentar o custo de produção, explica o pesquisador do Iapar Carlos Riede.
O trigo tem três classificações: panificador, melhorador e brando. Este último tipo é usado apenas pela indústria alimentícia, não sendo propício à panificação. No entanto, a combinação perfeita entre solo e clima faz com que a produção de trigo local seja do grão panificador ou melhorador. (F.M.)





